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Hanseníase no Piauí: o estado que menos examina contatos no Nordeste

🟣 Setembro Roxo & Determinantes Sociais

O Piauí registrou 703 casos novos de hanseníase em 2024, a 4ª maior taxa do Brasil. Mas só 7,3% deles foram descobertos examinando quem mora na mesma casa do doente, contra 13,3% na média nacional. Em um estado onde 18% da população tinha esgoto em 2021 e 39,3% dos domicílios viviam com insegurança alimentar em 2024, esta reportagem mostra o que acontece depois que o diagnóstico atrasa: desbridamento de úlcera, cirurgia de nervo e amputação de dedo, pagos pelo SUS. Com os boletins oficiais disponíveis para download.

Esta reportagem tem cards interativos, gráficos de dados e documentos oficiais para download. Toque neles ao longo do texto para ver mais.

Uma criança de 11 anos com uma mancha dormente no braço não sabe que está carregando o sinal mais importante da vigilância epidemiológica brasileira. Quando ela é diagnosticada com hanseníase, o sistema de saúde está diante de uma evidência simples: alguém adoeceu antes dela, provavelmente na mesma casa, e ninguém encontrou essa pessoa a tempo. Em 2024, o Piauí teve 20 crianças e adolescentes nessa situação. No dia 16 de setembro, o Governo do Estado reúne profissionais das quatro macrorregiões de saúde em Teresina para lançar uma ficha de avaliação de contatos e apresentar um boletim estadual de doenças negligenciadas. Esta reportagem reúne o que os dados públicos já dizem sobre esse território, incluindo aquilo que raramente entra na apresentação: a conta cirúrgica que o SUS paga quando o diagnóstico chega tarde.

O que será lançado em Teresina

A programação do Setembro Roxo piauiense de 2026 tem quatro eixos: apresentação do Boletim Epidemiológico das Doenças Negligenciadas, situação da hanseníase no Piauí, lançamento da Ficha de Avaliação Clínica de Contatos e discussão e nivelamento por macrorregiões de saúde. A realização é do Governo do Estado, com apoio do CIATEN, da Universidade Federal do Piauí, do Instituto de Doenças do Sertão, do LAMF/UFPI e do Grupo de Pesquisa em Doenças Tropicais Negligenciadas.

Profissionais de saúde e gestores reunidos no lançamento da campanha Setembro Roxo da Secretaria de Estado da Saúde do Piauí, em Teresina
Lançamento do Setembro Roxo pela Sesapi, em Teresina, quando o Piauí apresentou a nova linha de cuidado da hanseníase a gestores e profissionais da Estratégia Saúde da Família de todos os territórios de desenvolvimento. Foto: Divulgação/Sesapi. Imagem de divulgação oficial; ao publicar, baixe do material da Sesapi e mantenha o crédito.

A ficha não nasce agora. Em maio de 2025, no III Fórum de Tuberculose e Hanseníase do estado, a professora Olívia Dias (CIATEN/UFPI) já apresentava o instrumento aos profissionais, informando que ele estava em processo de validação em dissertação de mestrado profissional da RENASF/Fiocruz. O boletim estadual também já circulou antes: em 5 de dezembro de 2025, o Boletim Epidemiológico das Doenças Tropicais Negligenciadas no Piauí foi apresentado pelo professor Bruno Guedes (DMC/UFPI) em oficina da Sesapi para construir a Programação Anual de Saúde 2026.

Pelo relato publicado pelo próprio CIATEN, o Boletim Epidemiológico das Doenças Tropicais Negligenciadas no Piauí reúne séries históricas, indicadores de morbidade e mortalidade e análises territoriais produzidas ao longo dos últimos 23 anos, com um bloco dedicado à hanseníase que trata de rastreamento de contatos, vacinação com BCG, teleconsultorias e implantação das linhas de cuidado. É, portanto, o documento mais completo já produzido sobre doenças negligenciadas no estado, e exatamente por isso deveria estar acessível a qualquer conselheiro de saúde, vereador, jornalista ou pessoa afetada.

O MNDN procurou a versão pública desse boletim estadual e não a localizou em repositório aberto até a data desta publicação. O CIATEN mantém uma série própria e gratuita, o Boletim do Observatório Epidemiológico (ISSN 2763-5880), editado pela EDUFPI, com edições sobre hanseníase, leishmaniose visceral, doença de Chagas, malária e tuberculose no Piauí. O boletim específico das DTNs apresentado à Sesapi, porém, não foi encontrado em versão aberta. Classificação MNDN: sem evidência. Não é falha do movimento em apurar, é lacuna de transparência: documento apresentado em oficina de gestão deveria estar disponível para o controle social no mesmo dia.

Baixe os boletins oficiais usados nesta reportagem

O que o boletim estadual já mostrou

Mesmo sem o documento completo em acesso aberto, parte dos resultados do levantamento estadual já foi divulgada pelo próprio CIATEN, em relato de atividades publicado em 2026. São dados preliminares, e é assim que o MNDN os trata aqui: eles indicam a dimensão do problema, mas só o boletim completo permitirá conferir método, recortes e séries. O retrato é o de um estado onde essas doenças deixaram de ser exceção e viraram paisagem.

  • Mais de 236 mil casos de doenças tropicais negligenciadas registrados no Piauí ao longo de 23 anos;
  • Cerca de 15 mil casos somente em 2024, com destaque para dengue, hanseníase e tuberculose, sendo a tuberculose a principal causa de morte entre elas;
  • 97% dos municípios piauienses apresentam ocorrência simultânea de mais de uma dessas doenças;
  • Cerca de 3 milhões de pessoas vivem em áreas de maior vulnerabilidade no estado.
Card com os números do levantamento estadual de doenças negligenciadas no Piauí: 236 mil casos em 23 anos, 15 mil em 2024, 97% dos municípios com mais de uma doença e 3 milhões de pessoas em áreas vulneráveis
Os números do levantamento estadual das doenças negligenciadas no Piauí, base do boletim apresentado à Sesapi. São dados preliminares, ainda sem boletim publicado em acesso aberto. Arte: MNDN. Fonte dos dados: CIATEN/UFPI em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde do Piauí, divulgação de 2026.

Noventa e sete por cento dos municípios com mais de uma doença negligenciada ao mesmo tempo significa que o Piauí praticamente não tem território limpo. E significa também que separar as campanhas por cor de mês, uma doença de cada vez, é uma forma de organizar o calendário que não corresponde à forma como a doença organiza a vida das famílias.

Pelo protocolo do Ministério da Saúde, contato é toda pessoa que reside ou residiu, convive ou conviveu com a pessoa doente no âmbito domiciliar nos cinco anos anteriores ao diagnóstico, sendo ou não da família. Essas pessoas têm de cinco a dez vezes mais chance de desenvolver a doença do que a população geral. O exame delas inclui avaliação dermatoneurológica completa, com palpação de nervos, teste de sensibilidade e teste de força muscular nas mãos, nos pés e nos olhos, além da checagem da cicatriz de BCG e, desde 2022, do teste rápido na atenção primária.

Fontes: Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Hanseníase (Ministério da Saúde, 2022); Boletim Epidemiológico v. 57, nº 2 (SVSA/MS, jan. 2026); Nota Técnica nº 27/2024 da Sesapi sobre a indicação da BCG-ID para contatos.

Os números da hanseníase no Piauí

Pelo Boletim Epidemiológico de Hanseníase do Ministério da Saúde publicado em janeiro de 2026, com dados de 2024, o Piauí está entre os estados de maior carga da doença no país. A taxa de detecção geral mede quantos casos novos aparecem para cada 100 mil habitantes em um ano, e serve para dimensionar o tamanho da endemia.

  • 703 casos novos de hanseníase no Piauí em 2024, com taxa de detecção de 20,83 por 100 mil habitantes, classificada como endemicidade “muito alta” pelo Ministério da Saúde;
  • 4ª maior taxa do Brasil, atrás apenas de Mato Grosso (121,83), Tocantins (57,76) e Maranhão (28,34), e a 2ª maior do Nordeste;
  • 2,91 por 100 mil foi a taxa de detecção em menores de 15 anos (20 casos), parâmetro “alto”, indicador que mede transmissão recente;
  • 77,0% dos casos novos foram multibacilares, a forma com maior carga de bacilos e maior potencial de transmissão;
  • 9,0% já tinham grau 2 de incapacidade física no momento do diagnóstico, ou seja, deformidade visível antes mesmo de começar o tratamento;
  • 2,23 por 10 mil habitantes foi a taxa de prevalência, acima da média nacional de 1,29.

A série histórica estadual, apresentada pela supervisora do Programa Estadual de Controle da Hanseníase, Eliracema Alves, mostra queda no número absoluto: de 880 casos novos em 2019 para 701 em 2024, com a taxa saindo de 26,88 para 21,43 por 100 mil. Os números do estado e os do Ministério divergem levemente (701 contra 703 em 2024) porque foram extraídos do Sinan em datas diferentes, algo esperado em um sistema que segue recebendo notificações retroativas.

O indicador que mais preocupa tem série própria. Entre os casos novos do estado, os registrados em menores de 15 anos foram 49 em 2019, 25 em 2020, 20 em 2021, 25 em 2022, 28 em 2023 e 20 em 2024. São seis anos seguidos com criança e adolescente adoecendo de hanseníase no Piauí, o que significa seis anos seguidos de transmissão ativa dentro de casa.

Casos novos de hanseníase no Piauí, 2019 a 2024

A queda acompanha a pandemia de covid-19 e a retomada parcial da busca ativa. Menos casos notificados não significa, necessariamente, menos gente doente.

Casos novos no Piauí: 880 (2019), 556 (2020), 679 (2021), 754 (2022), 711 (2023), 701 (2024).

Fonte: Sinan/Sesapi, dados de 24/4/2025, apresentados no III Fórum de Tuberculose e Hanseníase do Piauí.

O elo mais fraco: quem mora na mesma casa

Examinar os contatos é a principal estratégia de prevenção recomendada pela Organização Mundial da Saúde. E os dados brasileiros mostram por quê: entre 2015 e 2024, dos casos novos descobertos por exame de contatos, apenas 5,6% tinham grau 2 de incapacidade física. Na população geral, em 2024, esse número foi 11,5%. Ou seja, quando o serviço vai atrás de quem mora na casa, encontra a doença antes que ela deforme.

O Piauí é justamente onde esse elo está mais frouxo.

  • 7,3% dos casos novos do Piauí em 2024 foram detectados por exame de contatos, contra 13,3% na média brasileira;
  • 67,4% dos contatos das coortes foram examinados no estado, parâmetro “precário” pelo Ministério da Saúde e a 2ª pior marca do país, atrás apenas da Bahia (65,9%);
  • Em outro recorte oficial, considerando os contatos registrados por caso novo, o Piauí caiu de 82,6% em 2015 para 69,6% em 2024, saindo de “regular” para “precário”;
  • De 2015 a 2024, o estado respondeu por 1,7% de todos os casos brasileiros detectados por exame de contatos, com tendência estatisticamente estacionária, enquanto Mato Grosso sozinho respondeu por 30,1%;
  • 63,2% dos casos novos do Piauí tiveram o grau de incapacidade avaliado na alta por cura em 2024, contra 70,6% do Brasil, também parâmetro “precário”.

O próprio estado reconhece o problema por escrito. No guia das Linhas de Cuidado da Hanseníase e Tuberculose, publicado pela Sesapi com o CIATEN/UFPI, a avaliação de contatos dos casos diagnosticados em 2024 aparece em 66,8%, e o documento classifica o índice como precário, apontando a necessidade de expandir e aprimorar a ação.

Contatos examinados: Brasil x Piauí, 2015 e 2024

Enquanto o país manteve o patamar, o Piauí perdeu 13 pontos percentuais em nove anos e cruzou a linha do parâmetro “precário” (abaixo de 75%).

Brasil: 82,9% (2015) e 81,7% (2024). Piauí: 82,6% (2015) e 69,6% (2024).

Fonte: Boletim Epidemiológico v. 57, nº 2, SVSA/Ministério da Saúde, janeiro de 2026 (dados Sinan coletados em 17/11/2025).

👆 Toque aqui para ver quantos municípios piauienses não notificam um único caso de hanseníase há cinco anos.

Ainda não revelado. Toque no card acima.

Nivelamento por macrorregiões: o que isso quer dizer

O quarto eixo da programação é o menos autoexplicativo para quem está fora da gestão. O Piauí organiza seu sistema de saúde em quatro macrorregiões, definidas em 2007 e com sede em Parnaíba (Litoral), Teresina (Meio-Norte), Picos (Semiárido) e Floriano (Cerrados). Abaixo delas estão as regiões de saúde, que passaram de 11 para 12 com a criação da região da Chapada Vale do Rio Itaim, sede em Paulistana, cobrindo os 224 municípios do estado.

Nivelar por macrorregião significa reconhecer que a hanseníase não se comporta igual nesses quatro pedaços de Piauí. O estudo de sobreposição de doenças negligenciadas publicado em 2026 na revista Epidemiologia e Serviços de Saúde mostrou que a região de saúde Entre Rios concentrou 44,7% de todos os casos de Chagas, leishmanioses, hanseníase e tuberculose do estado entre 2013 e 2022. E o estudo de internações por doenças negligenciadas no Piauí identificou aglomerados de alta taxa nos municípios do sul da macrorregião Meio-Norte, do norte do Semiárido e do sul dos Cerrados.

Profissionais da atenção primária dos territórios de desenvolvimento do Piauí durante encontro estadual sobre hanseníase promovido pela Sesapi
Profissionais da atenção primária vindos dos territórios de desenvolvimento do Piauí em encontro estadual sobre hanseníase. O nivelamento por macrorregião existe porque Litoral, Meio-Norte, Semiárido e Cerrados têm realidades distintas de acesso e de detecção. Foto: Divulgação/Sesapi.

A conta das sequelas: o que o SUS opera quando o diagnóstico atrasa

A hanseníase tem cura com a poliquimioterapia, o tratamento padrão feito com uma combinação de antibióticos distribuída gratuitamente pelo SUS. O problema não é o remédio. É o tempo. O bacilo ataca os nervos periféricos, e nervo lesionado não volta ao normal: a pessoa perde a sensibilidade, machuca sem perceber, a ferida infecciona, o osso é atingido. Daí em diante o cuidado deixa de ser um comprimido e vira centro cirúrgico.

Em janeiro de 2026, o Ministério da Saúde publicou pela primeira vez um retrato nacional dessas internações, cruzando onze anos de Autorizações de Internação Hospitalar do SUS. É a parte da hanseníase que quase nunca aparece nas campanhas.

  • 36.159 internações por hanseníase no Brasil entre 2014 e 2024, média de 3.287 por ano, com alta em 2024 (3.814 internações);
  • 71,8% foram internações de urgência, 3,1% precisaram de leito de UTI e 1,8% (636 pessoas) morreram internadas;
  • 50,9% dos procedimentos realizados foram cirúrgicos, com tempo médio de permanência de 7,78 dias;
  • 6.991 desbridamentos de úlcera ou de tecido desvitalizado (19,3% dos procedimentos) e 752 amputações ou desarticulações de dedo (2,1%);
  • R$ 30,8 milhões foi o custo total dessas internações no período, com média de R$ 853,10 por internação e máximo de R$ 63.797,07 em um único caso.

Amputação por hanseníase não é consequência inevitável da doença. É consequência de diagnóstico tardio, de nervo não avaliado e de ferida não cuidada. Cada uma dessas 752 amputações começou como uma mancha que alguém não examinou.

Procedimentos em internações por hanseníase no Brasil, 2014-2024

Os cinco procedimentos que traduzem a sequela: limpeza de úlcera, cirurgias de nervo e amputação de dedo.

Desbridamento de úlcera: 6.991. Neurólise não funcional: 1.186. Neuropatia compressiva: 904. Amputação de dedo: 752. Microneurólise: 516.

Fonte: Boletim Epidemiológico v. 57, nº 1, SVSA/Ministério da Saúde, janeiro de 2026 (SIH/SUS, dados extraídos em 28/8/2025).

O grau de incapacidade física avaliado na cura é o registro oficial da sequela com que a pessoa sai do tratamento. Sem ele, não há documento demonstrando a perda funcional, e a pessoa enfrenta o INSS, a fila da reabilitação e o pedido de órtese ou prótese sem base técnica. No Piauí, esse registro foi feito em 63,2% dos casos das coortes em 2024. Mais de um terço das pessoas recebeu alta sem que o serviço registrasse a mão, o pé ou o olho que a doença comprometeu. O MNDN já mostrou como a tabela de órteses e próteses do SUS, sem reajuste desde 2007, trava a entrega desses dispositivos a quem tem o laudo.

Fonte: Boletim Epidemiológico de Hanseníase, número especial, SVSA/MS, jan. 2026. Ver também a reportagem do MNDN sobre órteses e próteses no SUS.

Apresentação da linha de cuidado da hanseníase durante o Setembro Roxo da Secretaria de Estado da Saúde do Piauí
A linha de cuidado apresentada pela Sesapi no Setembro Roxo organiza o caminho da pessoa com hanseníase da atenção primária até a cirurgia de reabilitação, passando pelo Centro Integrado de Reabilitação, pelo Hospital da Polícia Militar, pelo Hospital Universitário e pelo Hospital Infantil Lucídio Portella. Foto: Divulgação/Sesapi.

No Piauí, a carga hospitalar das doenças negligenciadas já havia sido medida em um estudo publicado nos Cadernos de Saúde Pública: entre 2001 e 2018, o estado registrou 49.832 internações por esse grupo de doenças, a um custo total de R$ 34,4 milhões, sendo 6,4% delas por hanseníase. O maior risco de internação recaiu sobre pessoas com 60 anos ou mais (risco relativo 1,8) e sobre pessoas pardas (risco relativo 1,7).

Determinantes sociais: o mapa que a hanseníase segue

Doença socialmente determinada é aquela cuja distribuição obedece menos à biologia e mais às condições de vida. No Brasil, 72% dos casos novos de hanseníase de 2024 ocorreram em pessoas pretas ou pardas, e o próprio Ministério da Saúde trata isso como iniquidade étnico-racial, não como coincidência estatística. No Piauí, o recorte é ainda mais nítido.

  • 84,5% das pessoas que adoeceram de hanseníase no Piauí entre 2019 e 2024 eram pretas ou pardas (69,08% pardas e 15,39% pretas), segundo a própria Sesapi;
  • 11,05% eram analfabetas, e outros 20,49% dos registros ficaram com escolaridade ignorada ou em branco, o que é em si um problema de qualidade da informação;
  • 37,3% da população piauiense vivia em situação de pobreza em 2024, a menor taxa da série histórica do IBGE, mas ainda a 10ª maior do país;
  • 4% viviam em extrema pobreza. Sem Bolsa Família e BPC, esse índice seria de 17,6%, segundo a Síntese de Indicadores Sociais do IBGE;
  • Cerca de 18% da população tinha acesso a esgotamento sanitário: 26% na área urbana e apenas 2% na zona rural, conforme levantamento do Tribunal de Contas do Estado com base no SNIS de 2021, o retrato mais recente divulgado sobre o estado;
  • Teresina trata 18,74% do esgoto que coleta, uma das capitais brasileiras abaixo de 20%, segundo o Ranking do Saneamento 2026 do Instituto Trata Brasil.

Saneamento não transmite hanseníase, que se transmite por via respiratória entre pessoas em convívio próximo e prolongado. Mas a ausência de saneamento é o marcador mais visível do mesmo território onde se acumulam casa cheia, pouca ventilação, baixa renda, baixa escolaridade e serviço de saúde escasso. É esse conjunto que decide quem adoece e, principalmente, quem adoece sem ser encontrado.

Card com quatro dados sobre determinantes sociais no Piauí: 18% com esgoto, 37,3% em pobreza, 39,3% com insegurança alimentar e 84,5% das pessoas com hanseníase pretas ou pardas
Os quatro números que explicam onde a hanseníase se instala no Piauí. Arte: MNDN. Fontes dos dados: IBGE (Síntese de Indicadores Sociais e PNAD Contínua), Tribunal de Contas do Estado do Piauí com base no SNIS, e Sesapi.

Segurança alimentar: quem trata a doença com o prato vazio

O tratamento da hanseníase dura de seis a doze meses, exige comparecimento mensal à unidade de saúde para a dose supervisionada e tem efeitos adversos que pioram sem alimentação adequada. Por isso a fome não é um tema paralelo ao abandono de tratamento. É parte da explicação.

  • 39,3% dos domicílios piauienses estavam em algum grau de insegurança alimentar em 2024, cerca de 454 mil casas, a 3ª maior proporção do Brasil, atrás de Pará e Roraima;
  • 4,0% dos domicílios, cerca de 46 mil casas, viviam insegurança alimentar grave, aquela em que falta comida de fato. São aproximadamente 112 mil pessoas;
  • Houve avanço real: 24 mil domicílios saíram da insegurança alimentar de 2023 para 2024, e a insegurança grave caiu de 5,4% para 4,0%;
  • Em 2004, 68,23% da população do estado enfrentava insegurança alimentar, segundo levantamento da CEPRO/SEPLAN com dados do IBGE.

No Brasil, o abandono de tratamento da hanseníase subiu de 4,6% em 2015 para 7,3% em 2024. O Piauí ficou em 4,8%, abaixo da média nacional, um dos poucos indicadores em que o estado se sai melhor que o país. É um dado que merece ser dito com todas as letras: onde há vínculo com a equipe de saúde da família, a pessoa termina o tratamento.

Nenhuma ficha de contatos vai funcionar em uma casa onde a prioridade do dia é conseguir o almoço. Vigilância epidemiológica sem proteção social é formulário.

Movimento Nacional das Doenças Negligenciadas (MNDN)

Assistência social: os direitos que já estão escritos

A rede de proteção social é a outra metade do enfrentamento das doenças determinadas socialmente, e no Piauí ela tem escala. Em abril de 2026, o Bolsa Família alcançou 547.537 famílias nos 224 municípios do estado, com investimento superior a R$ 368,6 milhões no mês e benefício médio de R$ 673,63. Teresina concentrou 81,7 mil famílias, seguida por Parnaíba, Barras, Picos e Piripiri. Entre março de 2023 e maio de 2026, mais de 120 mil famílias piauienses deixaram o programa por aumento de renda.

O próprio guia estadual das Linhas de Cuidado lista o que a pessoa com hanseníase pode acessar fora da unidade de saúde, e vale reproduzir porque poucos profissionais e menos pacientes ainda sabem disso: Cadastro Único, cestas básicas durante o tratamento, Benefício de Prestação Continuada (Decreto nº 1.744/1995), passe livre no transporte interestadual para pessoas com deficiência (Lei nº 8.899/1994), acesso a órteses e próteses (Decreto nº 3.298/1999), auxílio por incapacidade e aposentadoria por invalidez pelo INSS, além de aluguel social e casas de apoio pelos órgãos de habitação. O documento também indica o CRAS, o CREAS e o Centro POP como portas de entrada, e reconhece as organizações da sociedade civil e os conselhos de saúde como parte da rede.

Reparação histórica: o Piauí teve seu hospital-colônia

Há uma política específica para as pessoas atingidas pela hanseníase que tem endereço histórico no estado. A Lei nº 11.520/2007 garante pensão especial mensal, vitalícia e intransferível a quem foi submetido compulsoriamente a isolamento domiciliar, isolamento em seringais ou internação em hospitais-colônia até 31 de dezembro de 1986, e também aos filhos separados dos pais por causa desse isolamento. Em abril de 2025, o valor mensal era de R$ 2.108,31.

O Leprosário de São Lázaro, conhecido como Hospital Colônia do Carpina, foi estabelecido oficialmente em 1931 em Parnaíba, no litoral piauiense, como espaço de isolamento de pessoas diagnosticadas com hanseníase. Recebeu pacientes de diferentes regiões e integra o que pesquisadores chamam de patrimônio cultural dissonante: um lugar que preserva a memória de uma política de Estado que separou famílias. O reconhecimento dessa história é o que fundamenta juridicamente a pensão especial paga até hoje pelo governo federal.

Fonte: Revista Confluências Culturais (Univille), estudo sobre o Leprosário de São Lázaro / Hospital Colônia do Carpina, Parnaíba (PI).

A regulamentação da pensão avançou recentemente, com o Decreto nº 12.312/2024 e a Portaria MDHC nº 90/2025, e em abril de 2025 o requerimento passou a ser feito pelo portal Gov.br, com acompanhamento público no portal de Dados Abertos. Ainda assim, o ritmo é lento: em agosto de 2026, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania deferiu 36 novos pedidos e indeferiu 6. Para um público idoso, que foi isolado há mais de quarenta anos, cada mês de tramitação tem peso próprio.

As crianças: o indicador que o Brasil não pode arredondar

O Ministério da Saúde publicou em janeiro de 2025 um boletim inédito sobre o impacto das doenças negligenciadas na infância brasileira, coordenado por pesquisadores da UFC e da UFBA. Entre 2010 e 2023, foram 24.339 casos novos de hanseníase em pessoas de 0 a 14 anos no país, taxa de 3,61 por 100 mil habitantes. E 20 crianças e adolescentes de até 14 anos morreram com hanseníase registrada na declaração de óbito.

  • O Piauí aparece entre os cinco estados com as mais altas taxas de mortalidade por doenças negligenciadas em crianças de 0 a 11 anos, ao lado de Roraima, Tocantins, Maranhão, Pará e Mato Grosso, nos dois cenários analisados pelo boletim;
  • A maior taxa de mortalidade infantil por essas doenças ocorreu em municípios com Índice Brasileiro de Privação muito alto, que concentraram 70,9% dos óbitos quando se excluem dengue e chikungunya;
  • A maior taxa de detecção foi em crianças indígenas, seguidas por crianças pardas e pretas;
  • A dupla mais comum de doenças sobrepostas no mesmo município, na faixa de 0 a 14 anos, foi hanseníase e acidente ofídico (38,3%; 2.134 municípios).

A hanseníase não anda sozinha no Piauí

Um estudo publicado em 2026 na revista Epidemiologia e Serviços de Saúde analisou a sobreposição territorial das doenças negligenciadas no estado. Entre 2013 e 2022, foram registrados 24.234 casos de doença de Chagas, leishmanioses, hanseníase e tuberculose no Piauí. A hanseníase respondeu por 46,2% desse total e a tuberculose por 37,4%. Os pesquisadores identificaram municípios com acúmulo de vários agravos ao mesmo tempo, com destaque para Teresina, Picos e Pedro II.

A mortalidade também já foi mapeada: entre 2001 e 2018, o Piauí registrou 2.609 óbitos por doenças tropicais negligenciadas, taxa de 4,60 por 100 mil habitantes, dos quais 55,2% por doença de Chagas, com maior expressão em territórios de maior vulnerabilidade social.

É por isso que o MNDN insiste que o enfrentamento não pode ser feito doença por doença, campanha por campanha, cor por cor no calendário. As mesmas famílias aparecem em mais de uma estatística.

O que está travado: a profilaxia que o Brasil retirou do SUS

A Organização Mundial da Saúde recomenda a profilaxia pós-exposição com dose única de rifampicina para contatos elegíveis de pessoas com hanseníase. As evidências apontam redução de cerca de 60% no risco de adoecimento entre os contatos nos dois primeiros anos, com efeito mantido de quatro a seis anos depois.

O Brasil chegou a incorporar a rifampicina para essa finalidade em 2015, pela Portaria SCTIE/MS nº 32, mas exclusivamente para a execução do projeto piloto PEP-Hans, realizado entre 2016 e 2018. Em fevereiro de 2020, o plenário da CONITEC recomendou por unanimidade a exclusão da tecnologia do SUS, formalizada pela Portaria nº 18, de 15 de junho de 2020. Desde então, a profilaxia pós-exposição nunca foi instituída na rotina dos serviços brasileiros.

👆 Toque aqui para ver o que isso significa na prática para o Piauí.

Ainda não revelado. Toque no card acima.

O MNDN já tratou do assunto em reportagem específica sobre por que o Brasil não adota a SDR-PEP. Aqui, o ponto é outro: um estado que examina menos de 70% dos contatos e não oferece profilaxia a nenhum deles está com as duas travas acionadas ao mesmo tempo.

Perguntas que o MNDN dirige ao poder público

  • O Boletim Epidemiológico das Doenças Tropicais Negligenciadas do Piauí será publicado em repositório de acesso aberto, com os dados desagregados por município e macrorregião, ou seguirá restrito a apresentações internas?
  • Qual é a meta pactuada de contatos examinados para o Piauí em 2026 e 2027, e qual o cronograma de formação continuada nas quatro macrorregiões para a Ficha de Avaliação Clínica de Contatos que está sendo lançada?
  • Que plano de busca ativa está previsto para os 24 municípios piauienses que não notificam um único caso de hanseníase há cinco anos consecutivos?
  • Por que apenas 63,2% dos casos novos do estado tiveram o grau de incapacidade avaliado na alta por cura, e que medida garantirá o registro da sequela para fins de reabilitação e de acesso a benefícios?
  • Os direitos listados no próprio guia estadual de Linhas de Cuidado, como BPC, passe livre, órteses e próteses e pensão especial, estão sendo informados de forma sistemática às pessoas em tratamento na atenção primária?
  • O Ministério da Saúde e a CONITEC pretendem reabrir a análise da profilaxia pós-exposição com dose única de rifampicina, recomendada pela OMS e excluída do SUS em 2020?
  • Como as pessoas afetadas pela hanseníase estão formalmente representadas nas instâncias que decidem a política estadual de doenças negligenciadas no Piauí?

A posição do Movimento

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As perguntas acima são formuladas pelo MNDN no exercício do controle social previsto na Lei nº 8.142/1990. Arte: MNDN

O Piauí fez coisas que merecem ser registradas. Construiu com a UFPI e o CIATEN uma linha de cuidado estadual para hanseníase e tuberculose, com fluxograma assistencial e carteira de serviços, financiada por projeto do CNPq com o Ministério da Saúde. Mantém um centro de inteligência epidemiológica próprio, com boletins abertos desde 2020. Tem taxa de abandono de tratamento abaixo da média nacional, cura em 85,9% nas coortes e reduziu pela metade a extrema pobreza entre 2023 e 2024. A Ficha de Avaliação Clínica de Contatos, construída dentro da UFPI e validada em pesquisa acadêmica, é exatamente o tipo de tecnologia leve que o SUS precisa. Mas instrumento sem meta, sem formação e sem dado público vira papel arquivado. Nossa posição:

  • Vigilância de contatos com meta e prazo: a ficha precisa chegar às quatro macrorregiões com capacitação continuada e indicador monitorado trimestralmente, não apenas por nota técnica;
  • Transparência ativa dos dados estaduais: todo boletim apresentado em oficina de gestão deve ser publicado em acesso aberto no mesmo dia, com dados por município;
  • Registro obrigatório da sequela: nenhuma alta por cura sem grau de incapacidade avaliado, porque é esse registro que abre a porta da reabilitação, da órtese e do benefício;
  • Informação sobre direitos dentro da consulta: BPC, passe livre, órteses e próteses e pensão especial precisam ser informados pela equipe, e não descobertos por acaso;
  • Reabertura do debate da profilaxia pós-exposição: o Brasil precisa reavaliar, com participação social, a exclusão da dose única de rifampicina decidida em 2020;
  • Busca ativa nos municípios silenciosos: silêncio em território de endemicidade muito alta é ponto cego de vigilância, não sucesso sanitário;
  • Proteção social como política de saúde: insegurança alimentar, esgoto e renda determinam quem adoece e quem conclui o tratamento, e precisam entrar no plano estadual de enfrentamento das DTNs;
  • Pessoas afetadas nas instâncias de decisão: com assento formal, não como convidadas eventuais para depoimento.

O Brasil assumiu o compromisso de eliminar as doenças determinadas socialmente até 2030. Faltam quatro anos. Com 24 municípios silenciosos, 7,3% de detecção por contato e 2% da zona rural com esgoto, esse prazo não se cumpre em coletiva de imprensa.

João Victor Pacheco Fós Kersul de Carvalho, Presidente do MNDN

Perguntas frequentes sobre hanseníase no Piauí

Em 2024, o Piauí registrou 703 casos novos de hanseníase, com taxa de detecção de 20,83 por 100 mil habitantes, segundo o Boletim Epidemiológico de Hanseníase do Ministério da Saúde publicado em janeiro de 2026. É a quarta maior taxa do Brasil e a segunda do Nordeste, classificada como endemicidade muito alta. A série estadual da Sesapi mostra queda de 880 casos em 2019 para 701 em 2024.

Quem convive no mesmo domicílio tem de cinco a dez vezes mais chance de desenvolver a doença. E a detecção por exame de contatos encontra a hanseníase mais cedo: entre 2015 e 2024, apenas 5,6% dos casos descobertos assim tinham grau 2 de incapacidade física, contra 11,5% na população geral em 2024. No Piauí, esse modo de detecção respondeu por 7,3% dos casos novos de 2024, contra 13,3% na média nacional.

Pode, quando o diagnóstico é tardio e a lesão dos nervos evolui para perda de sensibilidade, úlceras e infecção. Entre 2014 e 2024, o SUS registrou 36.159 internações por hanseníase no Brasil, incluindo 6.991 desbridamentos de úlcera e 752 amputações ou desarticulações de dedo, segundo o Boletim Epidemiológico v. 57, nº 1 do Ministério da Saúde. Diagnosticada cedo e tratada com poliquimioterapia, a hanseníase tem cura sem sequelas.

Sim. A Lei nº 11.520/2007 prevê pensão especial mensal, vitalícia e intransferível para pessoas submetidas compulsoriamente a isolamento domiciliar, em seringais ou em hospitais-colônia até 31 de dezembro de 1986, e também para filhos separados dos pais por causa desse isolamento. O valor era de R$ 2.108,31 mensais em abril de 2025, e o pedido pode ser feito pelo portal Gov.br. No Piauí, o Hospital Colônia do Carpina, em Parnaíba, funcionou como espaço de isolamento desde 1931.

Fontes e referências

  • MINISTÉRIO DA SAÚDE. Boletim Epidemiológico de Hanseníase, número especial. SVSA/MS, jan. 2026. gov.br/saude.
  • MINISTÉRIO DA SAÚDE. Hospitalização por hanseníase no Brasil, 2014-2024: características da população, padrões temporais e espaciais. Boletim Epidemiológico v. 57, nº 1, 23 jan. 2026. gov.br/saude.
  • MINISTÉRIO DA SAÚDE. Perfil dos casos novos de hanseníase detectados por exame de contatos no Brasil entre 2015 e 2024. Boletim Epidemiológico v. 57, nº 2, 23 jan. 2026. gov.br/saude.
  • MINISTÉRIO DA SAÚDE. Doenças Tropicais Negligenciadas: impacto na morbimortalidade das crianças no Brasil, 2010 a 2023. Boletim Epidemiológico, número especial, jan. 2025. gov.br/saude.
  • SESAPI. Cenário epidemiológico da hanseníase no Piauí (apresentação de Eliracema Alves, PECH) e demais apresentações do III Fórum de Tuberculose e Hanseníase, incluindo teste rápido e manejo de contatos (Olívia Dias, CIATEN/UFPI), maio de 2025. portal.pi.gov.br.
  • SESAPI; CIATEN/UFPI. Linhas de Cuidado da Hanseníase e Tuberculose: guia de orientações para gestores e profissionais de saúde do Piauí. ciaten.org.br.
  • ARAÚJO, O. D. et al. Caracterização da carga de hanseníase no Piauí, 2020. Boletim do Observatório Epidemiológico, CIATEN, v. 2, n. 4, out./dez. 2021. Teresina: EDUFPI. ISSN 2763-5880. ciaten.org.br/publicacoes.
  • CIATEN/UFPI. Relato de atividades de abril de 2026, com a divulgação do levantamento epidemiológico das doenças tropicais negligenciadas no Piauí. ciaten.org.br.
  • CIATEN/UFPI. Release da Oficina de Proposição de Ações para Doenças Tropicais Negligenciadas na PAS 2026 da Sesapi, com a apresentação do Boletim Epidemiológico das DTNs no Piauí pelo Prof. Bruno Guedes (DMC/UFPI), 13 dez. 2025. ciaten.org.br.
  • SANTOS, I. Nova linha de cuidado contra hanseníase é lançada no Piauí no Setembro Roxo. Portal Lupa1, 15 set. 2025 (fotos de divulgação da Sesapi e série estadual de casos novos em menores de 15 anos). lupa1.com.br.
  • MINISTÉRIO DA SAÚDE. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Hanseníase, 2022. bvsms.saude.gov.br.
  • CONITEC. Exclusão da rifampicina para quimioprofilaxia de contatos de pacientes com hanseníase, Relatório de Recomendação nº 525, 2020 (Portaria nº 18, de 15/6/2020). gov.br/conitec.
  • ARAÚJO, L. B. S. et al. Distribuição espacial e temporal das doenças tropicais negligenciadas no Piauí, 2013 a 2022: análise de sobreposição. Epidemiologia e Serviços de Saúde, 2026. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov.
  • BRITO, S. P. S.; LIMA, M. S.; FERREIRA, A. F.; RAMOS JR., A. N. Hospitalizações por doenças tropicais negligenciadas no Piauí: custos, tendências temporais e padrões espaciais, 2001-2018. Cadernos de Saúde Pública, v. 38, n. 8, 2022. scielosp.org.
  • BRITO, S. P. S. et al. Mortalidade por doenças tropicais negligenciadas no Piauí: tendência temporal e padrões espaciais, 2001-2018. Epidemiologia e Serviços de Saúde, v. 31, n. 1, 2022. scielosp.org.
  • IBGE. Síntese de Indicadores Sociais (pobreza e extrema pobreza no Piauí em 2024) e PNAD Contínua, módulo de Segurança Alimentar 2024, em convênio com o MDS.
  • TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DO PIAUÍ. Levantamento sobre esgotamento sanitário no Piauí (base SNIS, dados de 2021). tcepi.tc.br.
  • INSTITUTO TRATA BRASIL / GO ASSOCIADOS. Ranking do Saneamento 2026 (base SINISA 2024). tratabrasil.org.br.
  • MDS / GOVERNO FEDERAL. Bolsa Família no Piauí, abril de 2026. gov.br/secom.
  • MDHC. Pensão especial da Lei nº 11.520/2007, Decreto nº 12.312/2024, Portaria MDHC nº 90/2025 e serviços digitais de requerimento. gov.br/mdh.
  • REVISTA CONFLUÊNCIAS CULTURAIS (UNIVILLE). Leprosário de São Lázaro / Hospital Colônia do Carpina, Parnaíba (PI). periodicos.univille.br.
  • SESAPI. Regionais de Saúde e Plano Diretor de Regionalização (quatro macrorregiões e regiões de saúde do Piauí). site.saude.pi.gov.br.

Nota de transparência: todos os dados citados têm fonte verificada indicada acima. Quatro ressalvas. Primeira: o Boletim Epidemiológico das Doenças Tropicais Negligenciadas do Piauí, anunciado para apresentação no evento de 16/9/2026 e já apresentado à Sesapi em dezembro de 2025, não foi localizado em versão pública até o fechamento desta reportagem, e por isso nenhum dado dele é citado aqui; o que está disponível para download acima são os boletins federais e as publicações abertas do CIATEN e da Sesapi. Segunda: há pequena divergência entre o número de casos novos de 2024 informado pelo Ministério da Saúde (703) e pela Sesapi (701), explicada por datas distintas de extração do Sinan. Terceira: os indicadores de contatos examinados citados (67,4%, 69,6% e 66,8%) vêm de três documentos oficiais com denominadores e datas de coleta distintos, e os três classificam o Piauí como “precário”. Quarta: os números do levantamento estadual de doenças negligenciadas (236 mil casos, 15 mil em 2024, 97% dos municípios e 3 milhões de pessoas em áreas vulneráveis) são preliminares, divulgados pelo CIATEN em relato de atividades, e serão atualizados quando o boletim completo for publicado. Quinta: o dado de esgotamento sanitário tem base no SNIS de 2021. Sexta: as fotos de divulgação são creditadas à Sesapi e os cards de dados são arte própria do MNDN.

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