MOVIMENTO NACIONAL DAS DOENÇAS NEGLIGENCIADAS — JUSTIÇA SOCIAL E SAÚDE PARA TODOS
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🇧🇷 MOVIMENTO NACIONAL · BRASIL SAUDÁVEL 2030

Doenças Negligenciadas no Brasil

Dados oficiais de cada doença que o Brasil se comprometeu a eliminar ou controlar até 2030 — e do saneamento que determina onde elas persistem.

Existe vacina, exame ou remédio — quase sempre gratuito pelo SUS — para praticamente todas as doenças desta página. O que ainda falta não é tecnologia. É saneamento básico, renda e acesso.

É por isso que elas são chamadas de socialmente determinadas: não se distribuem ao acaso pelo território, mas se concentram onde faltam esgoto, água tratada e moradia digna. O mapa das doenças é, quase sempre, o mapa da desigualdade.

🇧🇷 Programa Brasil Saudável

Criado por decreto em 7 de fevereiro de 2024, nasceu do Comitê Interministerial para a Eliminação da Tuberculose e Outras Doenças Determinadas Socialmente (CIEDDS). Reúne 14 ministérios porque parte de uma premissa: garantir só o tratamento não basta. É preciso enfrentar a fome, a pobreza e a falta de saneamento que produzem essas doenças.

Entre 2017 e 2021, as doenças determinadas socialmente causaram mais de 59 mil mortes no país. O Brasil foi o primeiro do mundo a adotar política de governo com esse recorte.

🏥 14 doenças 🏛️ 14 ministérios 📅 Meta: 2030

📊 O retrato nacional

Todos os números verificados nas fontes oficiais em julho de 2026

84.308
casos novos de tuberculose (2024)
incidência 39,7/100 milBoletim de Tuberculose 2025, MS
22.129
casos novos de hanseníase (2024)
taxa de detecção 10,41/100 milBoletim de Hanseníase, MS, jan/2026
6,59 mi
casos prováveis de dengue (2024)
5.872 mortes · alta de ~400%Painel de Arboviroses, MS, dez/2024
138.493
casos de malária (2024)
99% na Amazônia · 43 óbitosMinistério da Saúde, abr/2025
49 mi
brasileiros sem esgotamento adequado
24,3% da populaçãoIBGE, Censo 2022
19,4%
da população usa fossa rudimentar
a condição que mais espalha doençaIBGE, Censo 2022

🦠 As doenças, uma a uma

Clique em qualquer card para ver os dados detalhados, as fontes e a relação com o saneamento

🗺️ Dois mapas, uma explicação

Um mostra onde a tuberculose incide mais; o outro, onde falta esgoto. Sobreponha mentalmente.

Tuberculose, estado por estado

A cor indica o coeficiente de incidência em 2024 (casos por 100 mil hab.). Cinza: dado não consultado.

Selecione um estado

Boletim de Tuberculose 2025

Toque num quadrado para ver os indicadores.

Fonte: MS, Boletim Epidemiológico de Tuberculose 2025. Dados preliminares.

Saneamento, estado por estado

A cor indica a cobertura de esgoto urbano (PNAD Contínua 2022). Onde falta o dado estadual, usa-se a média da região.

Selecione um estado

IBGE

Toque num quadrado para ver os dados.

Fontes: IBGE, PNAD Contínua 2022 e Censo 2022. Dado completo no SIDRA/IBGE.

🚽 Cada falta de infraestrutura permite uma doença

Clique em cada condição para ver quantos brasileiros vivem assim e quais doenças aquilo torna possível

Selecione uma condição acima

Cada uma dessas faltas não é apenas ausência de conforto: é a porta de entrada de um grupo específico de doenças. Toque numa delas para entender a relação.

Evolução do esgotamento adequado no Brasil

Clique numa barra

Veja o que cada momento representa e por que o ritmo importa.

Formas adequadas pelo PLANSAB (rede coletora ou fossa séptica). Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2022.

Saneamento adequado por cor ou raça (Censo 2022)

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Veja o que cada percentual representa e o que o IBGE observou sobre essa desigualdade.

O IBGE observou que mesmo nos vinte municípios mais populosos a população branca tem mais acesso a água e esgoto — a desigualdade existe também dentro da mesma cidade. Fonte: IBGE, Censo 2022.

📌 O que tudo isso significa junto

As doenças desta página se transmitem de formas diferentes — pelo ar, pela água, pelo solo, por vetores — mas compartilham um mesmo terreno: a ausência de infraestrutura. A tuberculose se concentra onde a moradia é precária e superlotada. A esquistossomose e as geo-helmintíases, onde as fezes humanas chegam à água e ao solo. A dengue, onde falta abastecimento regular de água e coleta de lixo.

Quando o Censo 2022 mostra que 49 milhões de brasileiros vivem sem esgotamento adequado, e que o acesso vai de 83,5% entre pessoas brancas a 29,9% entre indígenas, ele não fala só de infraestrutura. Ele desenha, antecipadamente, o mapa de quem vai adoecer.

🔎 Conjuntura: a quatro anos da meta

Há avanços reais. O Brasil foi o primeiro país do mundo a criar política interministerial para essas doenças. Incorporou testes e medicamentos novos no SUS. A malária caiu de 63 para 43 óbitos. O tratamento da tuberculose resistente passou de 18 para 6 meses.

Mas reconhecer avanço não é aceitar estagnação. As mortes por tuberculose voltaram ao patamar de 1999. As geo-helmintíases não têm sequer vigilância de rotina que permita saber se a meta será cumprida. A dengue teve, em 2024, o pior ano da história. E o saneamento — fator que atravessa quase todas — avança devagar demais para os 49 milhões que esperam.

A posição do Movimento é a mesma em cada matéria: essas doenças não começam no consultório nem terminam no medicamento. Enquanto o cano não chegar — e chegar primeiro onde a ausência dele adoece — nenhuma meta se cumpre só com remédio.

✊ O papel do controle social

Esta página é instrumento de controle social, previsto na Lei nº 8.142/1990, que garante à sociedade civil participar da formulação e da fiscalização das políticas de saúde. Os dados aqui reunidos são públicos e verificáveis — servem para que qualquer pessoa possa cobrar, comparar e acompanhar.

Fontes e referências

  • BRASIL. MS. Boletim Epidemiológico de Tuberculose 2025, Número Especial, março de 2025.
  • BRASIL. MS. Boletim Epidemiológico Especial de Hanseníase, janeiro de 2026 (série 2015–2024).
  • BRASIL. MS. Painel de Monitoramento das Arboviroses — dengue, chikungunya e Zika, 2024.
  • BRASIL. MS. Situação Epidemiológica da Malária e divulgação de 25 de abril de 2025.
  • BRASIL. MS. Esquistossomose — situação epidemiológica, SISPCE 2009–2019.
  • LAPORTA, G. Z. et al. Estimativa de prevalência de doença de Chagas crônica nos municípios brasileiros. Rev. Panam. Salud Publica, v. 48, e28, 2024.
  • KATZ, N. (coord.). Inquérito Nacional de Prevalência da Esquistossomose mansoni e Geo-helmintoses. Fiocruz Minas.
  • FONSECA, E. O. L. et al. Geo-helmintíases em municípios de baixo IDH. Cadernos de Saúde Pública, Fiocruz.
  • IBGE. Censo Demográfico 2022 — Características dos domicílios, fevereiro de 2024.
  • IBGE. PNAD Contínua 2022 — Características gerais dos domicílios.
  • Governo Federal. Decreto de 7 de fevereiro de 2024 — Programa Brasil Saudável / CIEDDS.
  • OMS. Roteiro para Doenças Tropicais Negligenciadas 2021–2030 e Global Tuberculosis Report 2024.

Dados verificados em julho de 2026. Números de doenças de notificação contínua mudam a cada boletim — para o dado mais atual, consulte os painéis oficiais do Ministério da Saúde. Página de caráter informativo e de controle social.

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As doenças têm cura e prevenção. Precisamos de conscientização, políticas públicas e da sua voz.

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