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Julho Amarelo 2026: as vozes do MNDN que encerram a campanha

💛 Julho Amarelo, Edição de Encerramento

Hoje, 31 de julho, se encerra o mês nacional de conscientização sobre hepatites virais. O MNDN fecha a campanha com as histórias de três lideranças que transformaram diagnóstico e participação social em ação de ponta: Maria Suzana, que vive com hepatite C há 23 anos, Zé Vaz Sampaio, conselheiro de saúde e estudante de enfermagem em Ipiaú (BA), e Bartolomeu Aquino, que levou a conscientização às salas de espera de Natal (RN).

Esta reportagem tem cards interativos, vídeo e galeria de fotos. Toque nos cards ao longo do texto para ver mais.

Julho amarelo. A cor não foi escolhida à toa: remete à icterícia, o amarelamento da pele e dos olhos que aparece quando o fígado já está sofrendo e que, para muita gente, é o primeiro sinal visível de uma doença que pode estar silenciosa havia anos. Neste 31 de julho, último dia da campanha nacional instituída pela Lei nº 13.802/2019, o Movimento Nacional das Doenças Negligenciadas (MNDN) fecha o mês não com números de Brasília, mas com três histórias de quem faz a conscientização acontecer na ponta: Maria Suzana, membro fundadora do movimento, que em vídeo conta que foi diagnosticada há 23 anos com o vírus da hepatite C; Zé Vaz Sampaio, da diretoria do MNDN, estudante de enfermagem e conselheiro de saúde em Ipiaú (BA); e Bartolomeu Aquino, vice-presidente do MNDN no Rio Grande do Norte, que levou a campanha até as salas de espera de unidades de saúde de Natal.

Esta reportagem complementa a cobertura que o MNDN já publicou sobre o Dia Mundial das Hepatites Virais de 2026, quando o Brasil solicitou à OMS a certificação de eliminação da transmissão de mãe para filho da hepatite B. Se lá o destaque foi o anúncio institucional, aqui o destaque são as pessoas que sustentam a conscientização durante todo o mês, muito depois das câmeras do evento oficial se apagarem.

Maria Suzana: 23 anos depois do diagnóstico, uma voz nacional pelas hepatites

Destaque: o depoimento de Maria Suzana

Em vídeo gravado para o encerramento do Julho Amarelo, Maria Suzana, membro fundadora do MNDN e Coordenadora Regional Nordeste do Movimento Brasileiro de Luta Contra as Hepatites Virais (MBHV), conta que foi diagnosticada há 23 anos com o vírus da hepatite C. Ela usa a própria trajetória para reforçar a mensagem central da campanha: diagnóstico precoce salva vidas.

Vídeo: acervo MNDN/MBHV, julho de 2026.

Maria Suzana é membro fundadora do Movimento Nacional das Doenças Negligenciadas (MNDN) e Coordenadora Regional Nordeste do Movimento Brasileiro de Luta Contra as Hepatites Virais (MBHV). Neste Julho Amarelo, ela decidiu compartilhar, em vídeo, uma história que carrega há 23 anos: o diagnóstico com o vírus da hepatite C.

A trajetória de Maria Suzana não é um caso isolado, é um retrato em miniatura de um problema estrutural do país. Segundo o Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2025, do Ministério da Saúde, a hepatite C respondeu por 41,5% de todos os casos confirmados no Brasil entre 2000 e 2024, mas por uma fatia desproporcional das mortes: 75,3% dos óbitos por hepatite viral registrados em 2022 tiveram a hepatite C como causa, justamente porque o vírus costuma ser descoberto tarde, depois de já ter avançado para cirrose ou câncer de fígado.

Por que a hepatite C é a mais silenciosa e a mais letal

  • A hepatite C pode permanecer no organismo por décadas sem sintomas visíveis, enquanto provoca danos progressivos ao fígado;
  • Em 2022, o Brasil registrou 1.316 óbitos relacionados a hepatites virais; a hepatite C sozinha respondeu por 917 dessas mortes;
  • O tratamento antiviral oferecido gratuitamente pelo SUS, de curta duração (entre 8 e 12 semanas), cura mais de 95% das infecções por hepatite C;
  • Ainda assim, a Organização Mundial da Saúde estima que apenas 20% das pessoas com hepatite C no mundo foram tratadas desde que esse tratamento passou a estar amplamente disponível, em 2015.

Fontes: Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2025 (Ministério da Saúde); Relatório Global de Hepatites 2026 (OMS).

É esse hiato, entre um tratamento que cura em quase todos os casos e uma testagem que ainda chega tarde demais para a maioria, que dá peso à insistência de Maria Suzana em uma frase simples: diagnóstico precoce salva vidas. Ela viveu 23 anos com o vírus. Muita gente não descobre a tempo.

O teste rápido para hepatites B e C está disponível gratuitamente em Unidades Básicas de Saúde (UBS), Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) e unidades do SUS em todo o país. É feito por uma amostra de sangue colhida por punção digital, com resultado em cerca de 30 minutos, sem necessidade de jejum. Em 2025, o Ministério da Saúde distribuiu cerca de 14 milhões de testes rápidos para triagem de hepatite C e 10 milhões para hepatite B às redes estaduais e municipais. Pessoas que nunca testaram, não sabem se são vacinadas contra hepatite B ou já tiveram alguma situação de risco (uso compartilhado de agulhas, procedimentos sem esterilização adequada, múltiplos parceiros sexuais sem proteção, transfusões antes de 1993) devem procurar a unidade de saúde mais próxima.

Fontes: Ministério da Saúde; ONU News, Relatório Global de Hepatites 2026 (OMS).

Zé Vaz Sampaio: da conscientização das hepatites ao conselho de saúde de Ipiaú

Zé Vaz Sampaio, membro da diretoria do MNDN, estudante de enfermagem e conselheiro de saúde de Ipiaú (BA)
Zé Vaz Sampaio, membro da diretoria do MNDN, estudante de enfermagem e conselheiro de saúde de Ipiaú (BA).

Se Maria Suzana representa a experiência de quem convive com o diagnóstico, Zé Vaz Sampaio representa a ponte entre ativismo comunitário e a estrutura formal do SUS. Membro da diretoria do Movimento Nacional das Doenças Negligenciadas, estudante de enfermagem e conselheiro de saúde do município de Ipiaú, no interior da Bahia, ele soma à luta contra as hepatites virais um trabalho de conscientização sobre o câncer de bexiga e o câncer de próstata.

A atuação de Zé Vaz como conselheiro de saúde conecta diretamente esta edição de encerramento do Julho Amarelo à conversa que o MNDN já vem fazendo sobre controle social do SUS: os Conselhos Municipais de Saúde, criados pela Lei nº 8.142/1990, são órgãos permanentes e deliberativos, onde usuários, trabalhadores e gestores fiscalizam a execução da política de saúde local, incluindo o cumprimento de campanhas como o próprio Julho Amarelo. Ter, dentro desse espaço, uma liderança que também atua na linha de frente da conscientização é, na prática, encurtar a distância entre o problema de saúde pública e a decisão que pode enfrentá-lo.

Zé Vaz Sampaio
Zé Vaz Sampaio, membro da diretoria do MNDN, estudante de enfermagem e conselheiro de saúde de Ipiaú (BA).

Esse é o nosso incansável, membro da diretoria do Movimento das Doenças Negligenciadas, estudante de enfermagem, conselheiro de saúde de Ipiaú, e um exemplo na luta contra as hepatites virais e na conscientização do câncer de bexiga e próstata.

Movimento Nacional das Doenças Negligenciadas, sobre Zé Vaz Sampaio

Bartolomeu Aquino: a sala de espera como território de conscientização

Se Maria Suzana fala pela experiência pessoal e Zé Vaz Sampaio pela cadeira de conselheiro, Bartolomeu Aquino, vice-presidente do MNDN no Rio Grande do Norte e advogado, representa a terceira frente que fechou o Julho Amarelo do movimento em 2026: a mobilização direta dentro da unidade de saúde. Ao longo do mês, ele integrou as ações da campanha em Natal, que iluminou de amarelo o pórtico de entrada da cidade e a ponte Newton Navarro, ao lado da APHETO (Associação dos Portadores de Hepatites do Estado do Rio Grande do Norte), presidida por Luzy Barbosa, e do Movimento Brasileiro de Hepatites Virais (MBHV), presidido por Neide Barros.

Bartolomeu Aquino durante atividade de sala de espera sobre o Dia Mundial das Hepatites Virais
Bartolomeu Aquino conduz atividade de sala de espera sobre hepatites virais. Foto: acervo MNDN/RN.

No dia 28 de julho, Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais, Bartolomeu foi além da mobilização em espaços públicos e realizou, sozinho, uma atividade de sala de espera dedicada ao tema, batizada de “Dia Mundial das Hepatites Virais”. A sala de espera é uma estratégia de educação em saúde amplamente usada por unidades do SUS e por movimentos sociais: em vez de esperar que o paciente procure a informação, a informação vai até ele enquanto aguarda a consulta, um momento em que o público costuma estar mais disponível e atento a orientações sobre prevenção, testagem e sintomas.

Público participando da atividade de sala de espera sobre hepatites virais conduzida por Bartolomeu Aquino
Pacientes em atendimento recebem orientações sobre prevenção, testagem e tratamento das hepatites virais. Foto: acervo MNDN/RN.

Na atividade, Bartolomeu conversou diretamente com pacientes e acompanhantes sobre as formas de transmissão do vírus, a importância da testagem mesmo na ausência de sintomas e os caminhos gratuitos de diagnóstico e tratamento oferecidos pelo SUS.

A gente não pode esperar que a pessoa vá atrás da informação sobre hepatite, muitas vezes ela nem sabe que precisa procurar. Por isso a sala de espera é tão importante: é ali, no tempo em que o paciente já está dentro da unidade de saúde, que a gente consegue explicar que existe teste rápido gratuito, que existe tratamento pelo SUS e que a hepatite B tem vacina. Um bom diálogo nesses poucos minutos pode ser o motivo que falta para alguém finalmente se testar.

Bartolomeu Aquino, vice-presidente do MNDN no Rio Grande do Norte

Por que participação social importa tanto quanto vacina e tratamento

As três trajetórias, de frentes diferentes do mesmo movimento, apontam para a mesma conclusão: eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública até 2030, meta da Organização Mundial da Saúde, não depende só de vacina e de antiviral disponíveis, depende de gente disposta a falar sobre isso em espaço público, em conselho de saúde, em vídeo, em sala de espera. É esse o papel da participação social prevista na Lei nº 8.142/1990: transformar informação técnica em mobilização real, e mobilização real em cobrança formal dentro do sistema.

Não é acaso que o tema da campanha global da OMS para 2026 seja “Hepatitis: Let’s Break It Down”, um chamado explícito para derrubar barreiras financeiras, sociais e do próprio sistema de saúde que ainda impedem milhões de pessoas de acessar prevenção, testagem e tratamento. Barreira social é, muitas vezes, sinônimo de estigma, e estigma se combate com gente que topa contar sua própria história, como fez Maria Suzana, que ocupa cadeira de conselho para garantir que a pauta não seja esquecida entre uma campanha de julho e outra, como faz Zé Vaz Sampaio, ou que leva a informação até quem está sentado numa sala de espera sem saber que precisa dela, como faz Bartolomeu Aquino.

Some-se o vídeo de Maria Suzana, a atuação de Zé Vaz Sampaio dentro do conselho de saúde de Ipiaú e a ação de sala de espera de Bartolomeu Aquino em Natal, e o retrato de Julho Amarelo de 2026 do MNDN fica completo: mobilização por meio da própria experiência pessoal, mobilização dentro do sistema de saúde e mobilização em espaço público, três frentes diferentes, uma só mensagem.

Galeria de Fotos do Julho Amarelo

Fotos: acervo MNDN, julho de 2026. Toque na foto para ver em tela cheia.

O que fica depois do último dia de julho

Encerrar o Julho Amarelo não significa encerrar o assunto. As hepatites virais continuam circulando de forma silenciosa em agosto, setembro e no resto do ano, e a meta de eliminação da OMS tem prazo até 2030. O que muda, a partir de 1º de agosto, é apenas a visibilidade midiática, não a urgência do problema. Por isso o MNDN termina este mês reafirmando o mesmo compromisso que abriu a campanha: com a defesa dos direitos das pessoas afetadas, com a promoção da participação social e com o fortalecimento do SUS.

Perguntas frequentes sobre hepatites virais e Julho Amarelo

Não. O teste rápido para hepatites B e C é gratuito e está disponível em Unidades Básicas de Saúde e outros pontos da rede do SUS em todo o Brasil, sem necessidade de agendamento prévio na maioria dos serviços.

Porque costuma ser descoberta tarde. A hepatite C responde por 41,5% dos casos confirmados no Brasil, mas por 75,3% dos óbitos por hepatite viral, já que o vírus pode ficar décadas sem sintomas enquanto avança silenciosamente para cirrose ou câncer de fígado.

Sim. O tratamento antiviral oferecido pelo SUS, com duração de 8 a 12 semanas, cura mais de 95% das infecções por hepatite C. O maior desafio hoje é de acesso e diagnóstico: só 20% das pessoas com hepatite C no mundo foram tratadas desde 2015.

É o mês nacional de conscientização sobre hepatites virais, instituído pela Lei nº 13.802/2019, encerrado simbolicamente em 28 de julho, Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais, mas que se estende até o fim do mês em ações de mobilização social pelo Brasil.

Perguntas que o MNDN dirige ao poder público

  • Como os municípios pretendem sustentar a oferta de testagem rápida e gratuita de hepatites B e C durante todo o ano, e não apenas em julho?
  • Que estratégias de combate ao estigma social relacionado às hepatites virais estão previstas nos planos municipais e estaduais de saúde?
  • Como os Conselhos Municipais de Saúde, como o de Ipiaú, podem ser fortalecidos como espaço permanente de cobrança sobre campanhas de prevenção às doenças negligenciadas?
  • Existe cronograma público para ampliar a testagem de hepatite C na atenção primária, considerando que a maioria dos portadores ainda desconhece o próprio diagnóstico?

A posição do Movimento

Logo do Movimento Nacional das Doenças Negligenciadas
Diagnóstico precoce salva vidas

Encerramos este Julho Amarelo com a certeza de que dado epidemiológico sem rosto não move ninguém. Foi preciso que Maria Suzana contasse, em vídeo, 23 anos de convivência com o vírus da hepatite C para que a estatística de 75,3% das mortes por hepatite viral deixasse de ser número e virasse urgência. Foi preciso que Zé Vaz Sampaio decidisse ocupar uma cadeira de conselheiro de saúde para que a conscientização sobre hepatites, câncer de bexiga e câncer de próstata deixasse de depender só de campanha de calendário e passasse a ter voz dentro da estrutura formal do SUS em Ipiaú. E foi preciso que Bartolomeu Aquino entrasse numa sala de espera em Natal para que a informação chegasse a quem talvez nunca fosse procurá-la sozinho. O MNDN reafirma:

  • Diagnóstico precoce salva vidas, e continuará sendo a mensagem central do movimento em todos os meses do ano, não só em julho;
  • Participação social é ferramenta de saúde pública, tão relevante quanto vacina e tratamento para alcançar a meta de eliminação das hepatites virais até 2030;
  • Testemunho pessoal é dado epidemiológico com rosto, e o MNDN seguirá dando espaço para que lideranças como Maria Suzana compartilhem suas trajetórias;
  • Conselhos de saúde precisam de gente da linha de frente, como Zé Vaz Sampaio, para que a conscientização não se perca entre uma campanha e a próxima;
  • A sala de espera é território de saúde pública, e o MNDN seguirá apoiando ações como as de Bartolomeu Aquino, que levam a informação até quem já está dentro da unidade de saúde.

O Julho Amarelo termina no calendário, mas a hepatite não sabe que dia é hoje. Por isso encerramos a campanha com quem segue trabalhando: Maria Suzana contando sua história, Zé Vaz Sampaio fiscalizando o sistema de dentro do conselho, Bartolomeu Aquino conversando com quem está sentado na sala de espera. É esse o Julho Amarelo que o MNDN quer deixar registrado.

Movimento Nacional das Doenças Negligenciadas (MNDN)

Fontes e referências

  • BRASIL. Lei nº 13.802, de 10 de janeiro de 2019. Institui o Julho Amarelo. planalto.gov.br.
  • BRASIL. Lei nº 8.142, de 28 de dezembro de 1990. Dispõe sobre a participação da comunidade na gestão do SUS e cria os Conselhos de Saúde. planalto.gov.br.
  • MINISTÉRIO DA SAÚDE. Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2025. Casos confirmados e óbitos por hepatite viral no Brasil, 2000-2024. gov.br/saude.
  • ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Global Hepatitis Report 2026 / World Hepatitis Day 2026. who.int.
  • ONU News. Relatório da OMS indica avanços no combate à hepatite no mundo e destaca Brasil. Distribuição de testes rápidos em 2025. news.un.org.
  • Medicina S/A. Hepatites virais evoluem em silêncio e ainda matam por falta de diagnóstico. Proporção de mortes por hepatite C. medicinasa.com.br.
  • Folha de Valinhos. Hepatites B e C: os perigos das infecções silenciosas que destroem o fígado. Óbitos por hepatite viral em 2022. folhadevalinhos.com.br.
  • MNDN. Dia Mundial das Hepatites 2026: Brasil pede certificação da OMS. mndnbrasil.org.

Nota de transparência: os depoimentos de Maria Suzana e Zé Vaz Sampaio foram fornecidos diretamente ao MNDN pelas próprias lideranças. Todos os demais dados epidemiológicos citados têm fonte oficial verificada, indicada acima.

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