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MNDN leva debate à ABRASCO e defende mudanças estruturais

🎯 ABRASCO 2026

Movimento Nacional das Doenças Negligenciadas participa do lançamento do I Plano Diretor de Política, Planejamento e Gestão em Saúde da ABRASCO e fortalece diálogo com a Saúde Coletiva

Evento reuniu pesquisadores, gestores e sociedade civil para debater o fortalecimento do SUS e a integração entre saúde, saneamento, meio ambiente e justiça social

O Movimento Nacional das Doenças Negligenciadas (MNDN) participou, no dia 8 de julho de 2026, em Cuiabá (MT), do lançamento do I Plano Diretor de Política, Planejamento e Gestão em Saúde (PPGS) da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO). O evento, promovido pela Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT), em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), reuniu pesquisadores, docentes, gestores públicos, estudantes e representantes da sociedade civil para discutir os desafios da Política, Planejamento e Gestão em Saúde e o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).

Representação do MNDN no evento

João Victor Pacheco Fos Kersul de Carvalho, presidente do MNDN, ao lado de dirigentes da ABRASCO durante o lançamento do I Plano Diretor
João Victor Pacheco Fos Kersul de Carvalho, presidente do Movimento Nacional das Doenças Negligenciadas (MNDN), Tatiana Wargas (Coordenação da Comissão de PPGS – ABRASCO / IFF Fiocruz), Carmen Leitão (Vice-Presidente da ABRASCO / Universidade Federal do Ceará – UFC) e José Patrício (Coordenação da Comissão de PPGS – ABRASCO / Universidade Federal da Bahia – UFBA – Vitória da Conquista

Representando o Movimento, o presidente João Victor Pacheco Fos Kersul de Carvalho participou de toda a programação, contribuindo com os debates sobre os desafios da saúde pública brasileira e reforçando a importância da participação da sociedade civil na construção de políticas públicas mais justas, integradas e comprometidas com a realidade dos territórios.

O encontro marcou o início da implementação do I Plano Diretor da Comissão de Política, Planejamento e Gestão em Saúde da ABRASCO, documento construído de forma participativa que estabelece diretrizes para fortalecer o ensino, a pesquisa, a gestão, a participação social e a articulação entre universidades, gestores públicos, trabalhadores da saúde e movimentos sociais.

Participação da sociedade civil

Plateia com pesquisadores, estudantes, gestores e representantes da sociedade civil no lançamento do I Plano Diretor da ABRASCO
Público presente no lançamento do I Plano Diretor da ABRASCO, reunindo pesquisadores, estudantes, gestores e sociedade civil

O evento contou com a participação de um público diversificado, composto por pesquisadores, docentes, estudantes de pós-graduação, gestores públicos, profissionais da saúde e representantes de movimentos sociais. A presença da sociedade civil foi destacada como um dos pilares para a construção coletiva do Plano Diretor e para o fortalecimento do diálogo entre universidade, gestão e comunidade.

Os participantes tiveram a oportunidade de contribuir com perguntas, reflexões e propostas, enriquecendo o debate sobre os rumos da Política, Planejamento e Gestão em Saúde no país.

Debates da manhã

Durante o período da manhã, foram discutidos os desafios da reconstrução e do fortalecimento do SUS, da governança interfederativa e da formação de profissionais capazes de responder às necessidades da população brasileira. As mesas também abordaram a importância da integração entre ensino, pesquisa, serviços de saúde e políticas públicas como estratégia para reduzir desigualdades e fortalecer o sistema público de saúde.

O evento contou com a presença de importantes lideranças da Saúde Coletiva brasileira, que trouxeram contribuições fundamentais para o debate sobre o futuro do SUS e da gestão em saúde no país.

fala do presidente do MNDN

fala de João Victor Pacheco, presidente do MNDN, durante o lançamento do I Plano Diretor da ABRASCO

Intervenções e contribuições

João Victor Pacheco ao microfone durante sua intervenção no evento da ABRASCO
João Victor Pacheco durante sua intervenção no lançamento do I Plano Diretor da ABRASCO

Durante sua participação, João Victor destacou que as doenças negligenciadas não podem ser compreendidas apenas como um problema clínico. Ele ressaltou que muitos municípios ainda convivem com desafios históricos relacionados ao acesso ao saneamento básico, à água tratada e à moradia digna, fatores que favorecem a permanência dessas enfermidades.

Roda de conversa noturna

João Victor Pacheco discursando durante a roda de conversa noturna no Instituto de Saúde Coletiva da UFMT
João Victor Pacheco destacando a importância da participação social no fortalecimento do SUS durante a roda de conversa noturna

A programação teve continuidade no período noturno, no Instituto de Saúde Coletiva da UFMT, com a roda de conversa “Formação Crítica, Epistemologias Contra-Hegemônicas e o Futuro da Saúde Coletiva”, reunindo docentes, pesquisadores, estudantes e representantes da sociedade em um diálogo sobre os desafios da formação em saúde, da produção científica e da incorporação de temas contemporâneos como interseccionalidade, racismo estrutural, gênero, emergência climática e saúde digital. As propostas discutidas serão incorporadas ao relatório nacional da Comissão de Política, Planejamento e Gestão em Saúde da ABRASCO.

A contribuição do Movimento para o debate

Ao abordar a realidade de Mato Grosso, o presidente do MNDN ressaltou que muitos municípios ainda convivem com desafios históricos relacionados ao acesso ao saneamento básico, à água tratada, à coleta e destinação adequada dos resíduos sólidos, ao tratamento de esgoto e às condições dignas de moradia. Segundo ele, esses fatores favorecem a permanência das doenças negligenciadas e demonstram que seu enfrentamento depende de políticas públicas integradas.

“As doenças negligenciadas não começam no consultório nem terminam no medicamento. Elas têm origem nas condições em que as pessoas vivem. Quando falamos em eliminar essas doenças, estamos falando de saneamento básico, água tratada, coleta de lixo, tratamento de esgoto, moradia digna, educação em saúde e redução das desigualdades. Enquanto continuarmos tratando apenas a doença, sem enfrentar suas causas, estaremos combatendo apenas as consequências.”

— João Victor Pacheco Fos Kersul de Carvalho, Presidente do MNDN

O presidente do Movimento destacou ainda que essa visão dialoga diretamente com os princípios da Saúde Coletiva e com o conceito de determinação social da saúde, reconhecendo que as condições sociais, econômicas e ambientais influenciam diretamente o adoecimento das populações.

Saúde Coletiva e doenças negligenciadas: agendas que caminham juntas

Para o Movimento Nacional das Doenças Negligenciadas, a aproximação com a Saúde Coletiva representa um passo estratégico para fortalecer a defesa de políticas públicas voltadas à promoção da equidade e da justiça social.

As doenças infecciosas e negligenciadas atingem principalmente populações em situação de vulnerabilidade, onde persistem desigualdades relacionadas ao saneamento, habitação, renda, escolaridade, acesso aos serviços públicos e proteção social.

Por essa razão, eliminá-las exige muito mais do que ampliar a assistência médica. É necessário compreender que saúde também depende das condições em que as pessoas vivem, trabalham e se desenvolvem.

Essa compreensão é um dos pilares da Saúde Coletiva, área que nasceu a partir da Reforma Sanitária Brasileira e contribuiu decisivamente para a construção do Sistema Único de Saúde. Ao integrar conhecimentos da epidemiologia, das ciências sociais e do planejamento em saúde, a Saúde Coletiva busca compreender as causas dos problemas de saúde e desenvolver políticas capazes de reduzir desigualdades e promover melhores condições de vida para toda a população.

Essa visão converge plenamente com a atuação do Movimento Nacional das Doenças Negligenciadas, que há anos defende uma resposta intersetorial para essas enfermidades, envolvendo saúde, saneamento, educação, assistência social, habitação, meio ambiente e desenvolvimento social.

A importância da participação social

Outro tema central do encontro foi o fortalecimento da participação social como elemento essencial para a consolidação do SUS.

O Plano Diretor da ABRASCO reconhece que a construção de políticas públicas mais eficazes depende do diálogo permanente entre universidades, gestores públicos, trabalhadores da saúde, pesquisadores e movimentos sociais, valorizando os conhecimentos produzidos nos territórios e a participação ativa da sociedade.

Para o Movimento Nacional das Doenças Negligenciadas, esse princípio possui um significado especial. As pessoas que vivem ou viveram com doenças negligenciadas carregam experiências que ajudam a compreender as dificuldades enfrentadas pelas comunidades e podem contribuir de maneira decisiva para a formulação de políticas públicas mais eficientes.

Durante sua participação, João Victor destacou que fortalecer a participação social significa reconhecer que a população deve ocupar espaços de decisão e não apenas receber políticas públicas já definidas.

“Quem vive a realidade dos territórios conhece os problemas, mas também conhece os caminhos para transformá-los. A participação social fortalece o SUS porque aproxima as decisões da realidade das pessoas. Não basta falar sobre a população; é preciso construir as políticas públicas com a população.”

— João Victor Pacheco Fos Kersul de Carvalho, Presidente do MNDN

Segundo o presidente do Movimento, ampliar a participação social significa fortalecer os conselhos de saúde, os movimentos sociais, as universidades e todos os espaços democráticos onde a sociedade possa contribuir para a formulação, implementação e avaliação das políticas públicas.

Fortalecendo parcerias para transformar realidades

A participação do Movimento Nacional das Doenças Negligenciadas no lançamento do I Plano Diretor da ABRASCO representa um importante avanço na aproximação com o campo da Saúde Coletiva e reforça o compromisso institucional do MNDN com a produção de conhecimento, a defesa do SUS e a construção de políticas públicas baseadas na equidade e na participação social.

Ao integrar esse espaço de diálogo, o Movimento fortalece sua atuação junto às universidades, centros de pesquisa, gestores públicos e organizações da sociedade civil, ampliando oportunidades de cooperação para o enfrentamento das doenças infecciosas e negligenciadas.

Mais do que participar de um evento acadêmico, o MNDN reafirma que eliminar essas doenças exige enfrentar suas causas estruturais, reduzir as desigualdades sociais e fortalecer um Sistema Único de Saúde público, universal, participativo e comprometido com a garantia do direito à saúde para toda a população brasileira.

A presença do Movimento nesse importante debate nacional reafirma que as pessoas afetadas pelas doenças negligenciadas devem ocupar um lugar de protagonismo na construção das políticas públicas. Afinal, promover saúde também significa ouvir quem vive diariamente os desafios dos territórios e transformar essa experiência em conhecimento, participação e ação.

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