Em outubro de 2024, o Brasil recebeu da Organização Mundial da Saúde o certificado de eliminação da filariose linfática a elefantíase como problema de saúde pública, tornando-se o 20º país do mundo a alcançar esse status. Foi a primeira doença socialmente determinada que o país conseguiu riscar da lista, coroando um trabalho iniciado em 1997. A notícia é real, tecnicamente validada e merece ser celebrada. Mas ela também levanta uma pergunta que esta reportagem se propõe a responder com dados: se as condições que causaram a doença esgoto a céu aberto, lixo acumulado, água parada continuam praticamente as mesmas em 2026, o que exatamente foi resolvido, e o que ainda não foi?
O que é a filariose e por que ela nasce do saneamento
A filariose linfática, popularmente conhecida como elefantíase, é causada pelo verme nematoide Wuchereria bancrofti e transmitida pela picada do mosquito Culex quinquefasciatus o pernilongo ou muriçoca, presente em qualquer casa brasileira. Após a picada, as larvas migram para os vasos linfáticos, onde se desenvolvem até a fase adulta e podem se reproduzir, gerando inflamação crônica que, em cerca de 15% dos infectados, evolui para deformidades graves: edemas permanentes em membros, mamas e bolsa escrotal.
O detalhe que explica toda esta reportagem está no comportamento do vetor. Diferente do Aedes aegypti (dengue) ou do Anopheles (malária), que preferem água limpa, o Culex se reproduz especificamente em água parada e poluída valas, esgoto exposto, fossas, água suja acumulada em terrenos e quintais. Nenhuma espécie dos gêneros Aedes ou Anopheles foi identificada como transmissora da filariose no Brasil é uma doença de água suja, não de água limpa. Por isso ela nunca foi uma epidemia aleatória: desde os primeiros levantamentos, ela desenhou o mapa da desigualdade urbana.
- No mundo, a filariose linfática ainda afeta cerca de 120 milhões de pessoas em 72 países, principalmente na Ásia e na África;
- Globalmente, cerca de 36 milhões de pessoas convivem com incapacidades graves e permanentes causadas pela doença linfedema e hidrocele;
- No auge da doença no Brasil, estimava-se que 49 mil pessoas estivessem infectadas e 3 milhões vivessem em áreas de risco.
Quatro cidades, um mesmo histórico
Os primeiros levantamentos nacionais sobre filariose, feitos entre 1950 e 1958, identificaram 11 focos de transmissão espalhados pelo país, incluindo Belém, Maceió, Manaus, São Luís, Salvador, Florianópolis e Porto Alegre. Com o tempo, todos esses focos foram controlados restando apenas um: a Região Metropolitana do Recife, formada por Recife, Olinda, Jaboatão dos Guararapes e Paulista.
Levantamentos por microrregião mostraram prevalências que variavam de 0,1% a mais de 3% no Recife, e picos de até 4,3% em bairros específicos de Olinda, como Azeitona e Alto da Conquista. O Guia de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde é direto ao descrever o cenário: comunidades de baixo nível socioeconômico da região registravam índices de microfilarêmicos entre 2% e 15% nunca descolados das condições de saneamento do território.
Entre 2003 e 2016, foi realizado tratamento coletivo em massa com dietilcarbamazina (DEC) em Recife, Olinda e Jaboatão dos Guararapes, alcançando milhares de pessoas, somado a ações pontuais de melhoria de saneamento voltadas a reduzir a exposição ao mosquito. Paulista, por ter prevalência mais baixa, recebeu tratamento individual dos casos identificados, em vez de administração em massa. O último caso de transmissão ativa registrado no país foi em 2017. Em abril de 2023, o exame final de avaliação de transmissão (TAS, na sigla em inglês) em Jaboatão dos Guararapes última etapa do dossiê de eliminação não encontrou nenhum caso positivo.
Clique em cada card abaixo para ver os detalhes.
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1997 — O plano nacional
Criado o Programa Nacional de Eliminação da Filariose Linfática (PNEFL), no mesmo ano em que a OMS elegeu a doença como uma das seis infecções potencialmente erradicáveis do planeta.
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2003 a 2016 — O tratamento em massa
Administração coletiva de medicamento antiparasitário em Recife, Olinda e Jaboatão dos Guararapes, alcançando milhares de pessoas.
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2017 — Último caso
Registrado o último caso de transmissão ativa da doença no país.
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Abril de 2023 — A prova final
Último inquérito de avaliação de transmissão (TAS), feito em Jaboatão dos Guararapes, não encontra nenhum caso positivo.
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Outubro de 2024 — A certificação
Brasil recebe da OMS/OPAS o certificado de eliminação da filariose linfática como problema de saúde pública — o 20º país do mundo a alcançar o status.
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Novembro de 2024 — O alerta científico
Estudo da Fiocruz Pernambuco sobre a densidade do mosquito Culex em Igarassu reforça a classificação de nove municípios vizinhos aos 4 focos históricos como área de transmissão indeterminada, por reunirem as mesmas condições de saneamento precário.
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Março de 2026 — O retrato atual
Ranking do Saneamento 2026 confirma Olinda, Paulista e Jaboatão dos Guararapes entre os 20 piores municípios do país em saneamento básico.
O que a certificação prova — e o que ela não prova
É essencial ser preciso aqui, porque essa é a base de toda a análise. A certificação da OMS atesta a interrupção da cadeia de transmissão: ninguém mais está sendo infectado por outra pessoa infectada, comprovado por exames em milhares de moradores das quatro cidades. Ela não atesta que o mosquito desapareceu, nem que as condições ambientais que o favorecem foram corrigidas. E também não significa erradicação erradicar significa que não há mais casos em nenhum lugar do mundo, o que está longe de ser realidade: a doença segue endêmica em dezenas de países da África e da Ásia, afetando cerca de 100 milhões de pessoas, sobretudo na Índia.
O Dr. Gilberto Fontes, parasitologista da Universidade Federal de São João Del-Rei (UFSJ) e um dos principais especialistas brasileiros em filariose linfática, resumiu bem essa distinção ao comentar a certificação: eliminamos a transmissão, mas ainda precisamos lidar com pacientes crônicos que requerem acompanhamento médico e social. Esses pacientes, mesmo não sendo mais transmissores da doença, continuam sofrendo com sequelas físicas permanentes, como a própria elefantíase e o especialista reforça que a eliminação da transmissão não resolve o impacto físico e emocional que essas pessoas carregam.
O Ministério da Saúde foi igualmente direto sobre o que vem depois do certificado: “na fase pós-eliminação, a vigilância será mantida para evitar o ressurgimento da doença”. Pesquisadores da Fiocruz reforçaram o alerta com uma expressão que resume bem o risco: a filariose é uma “doença silenciosa”, capaz de reaparecer em microfocos que não chamam atenção da saúde pública e o vetor está presente de norte a sul do país. Como resumiu Abraham Rocha, coordenador do Serviço de Referência Nacional em Filarioses e pesquisador da Fiocruz Pernambuco: “os gestores não podem se enganar e achar que com a certificação a filariose não precisa mais de investimentos”.
Eliminar a transmissão não é o mesmo que eliminar a causa. Enquanto existir esgoto exposto e água parada, o mosquito continua tendo onde nascer e a vigilância vira a única barreira entre a eliminação e o retorno da doença.
Movimento Nacional das Doenças Negligenciadas (MNDN)
A ciência já mapeou o risco ao redor das quatro cidades
A classificação de risco dos municípios vizinhos aos quatro focos históricos foi estabelecida por décadas de pesquisa do grupo da Fiocruz Pernambuco (Instituto Aggeu Magalhães), da Universidade de Pernambuco e da Fundação Joaquim Nabuco e segue sendo reforçada por estudos recentes. Um deles, publicado em novembro de 2024 na revista científica Pathogens, mediu especificamente a densidade do mosquito Culex em Igarassu, um dos municípios classificados como de transmissão indeterminada, e confirmou a associação entre condições socioambientais precárias e maior presença do vetor. O resultado acumulado dessas pesquisas organiza o mapa de risco atual da região metropolitana em três categorias:
- Sob vigilância pós-tratamento em massa: Recife, Olinda e Jaboatão dos Guararapes;
- Tratamento individual por baixa prevalência: Paulista;
- Transmissão indeterminada área de risco não descartada: Abreu e Lima, Cabo de Santo Agostinho, Camaragibe, Igarassu, Ilha de Itamaracá, Ipojuca, Itapissuma, Moreno e São Lourenço da Mata.
Essas pesquisas são explícitas sobre por que esses nove municípios entraram nessa categoria de risco: eles reúnem abastecimento de água inadequado, falta de saneamento básico, moradia precária, baixa renda e alta densidade populacional nas áreas mais pobres um cenário que os próprios pesquisadores descrevem como favorável à proliferação do Culex, intensificando o contato entre o vetor e a população e aumentando o risco de transmissão da doença.
O retrato atual do saneamento nas quatro cidades
Os dados mais recentes do SINISA (Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico) que substituiu o antigo SNIS a partir de 2024 e é mantido pelo Ministério das Cidades permitem comparar diretamente esgoto e água encanada nas quatro cidades:
Clique em cada cidade para ver os números completos.
Apenas 20,61% da população é atendida com esgotamento sanitário — o pior recorte entre as quatro cidades. Do esgoto efetivamente gerado no município, apenas 34% chega a ser coletado e tratado, com mais de 11,5 milhões de m³ despejados na natureza sem tratamento por ano.
36,66% da população é atendida com esgotamento sanitário, contra a média nacional de 59,7%. Mais de 6,4 milhões de m³ de esgoto por ano são despejados na natureza sem qualquer tratamento 85,87% da população tem água tratada, então o problema não é a falta de água, é para onde ela vai depois de usada.
40,3% da população é atendida com esgotamento sanitário; o esgoto de mais de 206 mil habitantes não é coletado. Água tratada chega a 81,7% da população.
84,3% da população recebe água potável pela rede geral, mas o abastecimento total de água (que soma outras formas de acesso) foi medido em 78,93% no levantamento mais recente abaixo da média nacional. Do lado do esgoto, a capital segue historicamente com déficit relevante de coleta, mesmo ocupando posição intermediária no ranking nacional.
Vale reparar em um padrão que se repete em Olinda e Paulista: a água tratada chega para a grande maioria da população (85,87% e 81,7%, respectivamente), mas o esgoto gerado por essa mesma água não tem para onde ir de forma segura menos de 40% é coletado nas duas cidades. É exatamente essa combinação água entrando, esgoto não saindo de forma adequada que produz a água parada e poluída de que o Culex precisa para se reproduzir. Em Jaboatão, o cenário é ainda mais grave: o atendimento com esgotamento sanitário não chega a 21% da população.
Em março de 2026 há poucos meses , o Ranking do Saneamento 2026, do Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados, confirmou o retrato mais atual possível: entre os 100 municípios mais populosos do Brasil, Olinda ocupa a 83ª posição, Paulista a 85ª e Jaboatão a 92ª todas entre as 20 piores do país, e as três pioraram ou caíram posições em relação à edição anterior do ranking. Ao todo, seis cidades pernambucanas estão entre as 29 piores do ranking nacional; Recife, a capital, aparece na 80ª colocação mais bem posicionada, mas ainda distante do topo.
Procurada pela imprensa após a divulgação do ranking, a Prefeitura de Jaboatão respondeu que o resultado reflete dados de 2024, com defasagem de cerca de dois anos em relação a ações mais recentes, e que a operação dos serviços de água e esgoto é responsabilidade da Compesa, companhia estadual cabendo ao município um papel de articulação institucional e apoio às políticas públicas.
Os investimentos existem mas na ponta errada da conta
Não é que nada esteja sendo feito. Existe investimento em curso: o Programa Cidade Saneada, considerado a maior parceria público-privada de saneamento do país, prevê levar os serviços de esgoto a 15 cidades da Região Metropolitana do Recife, com meta estadual de 99% de cobertura em água e 90% em esgoto até 2033, sustentada por R$ 19,1 bilhões em investimentos previstos pelas concessionárias, mais R$ 4,2 bilhões em outorgas para segurança hídrica e infraestrutura municipal. Em Jaboatão, a Estação de Tratamento de Esgoto de Candeias está em obra de ampliação a capacidade deve dobrar, de 112 para 224 litros por segundo, beneficiando cerca de 150 mil moradores.
Mas o próprio Ranking do Saneamento 2026 expõe o limite dessa conta em dois números que se conectam diretamente: os 20 piores municípios do país investem, em média, R$ 77,58 por habitante entre 2020 e 2024 cerca de 66% abaixo dos R$ 225,00 por habitante ao ano considerados necessários para caminhar rumo à universalização , e um estudo específico sobre Pernambuco mostrou que, entre 2018 e 2023, os municípios do estado com os piores indicadores de saneamento registraram investimento médio de R$ 78,40 por habitante patamar semelhante, e igualmente distante do necessário. O próprio Ranking do Saneamento 2026 destaca a relação direta entre volume de investimento e avanço dos indicadores: onde se investe pouco, o indicador não sai do lugar, e é exatamente aí que Jaboatão, Olinda e Paulista se encontram.
Por que isso importa para a meta de 2030
O Brasil assumiu, junto à Organização Mundial da Saúde, o compromisso de eliminar um conjunto de doenças negligenciadas até 2030 meta que resultou na criação do Comitê Interministerial para a Eliminação da Tuberculose e Outras Doenças Determinadas Socialmente (CIEDDS), pelo Decreto nº 11.494 de 2023, e no Programa Brasil Saudável, instituído pelo Decreto nº 11.908 de 2024, reunindo 14 ministérios. O desenho do programa reconhece, no próprio texto, que saúde sozinha não resolve: suas linhas de ação incluem explicitamente o enfrentamento à fome e à pobreza, à moradia precária e a ampliação de infraestrutura e saneamento básico e ambiental.
A filariose é, hoje, a prova concreta de que esse raciocínio funciona quando é aplicado de forma coordenada tratamento em massa somado a melhoria pontual de saneamento resultou na eliminação da transmissão. Mas ela é também um alerta sobre o que acontece quando essa coordenação para na metade do caminho: a doença foi controlada pela via médica, mas a causa ambiental que a produziu segue presente, quase intacta, nas mesmas quatro cidades e já reconhecida cientificamente como risco em outras nove.
- Meta 3.3 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU: até 2030, acabar com as epidemias de doenças tropicais negligenciadas e combater doenças transmitidas pela água;
- O próprio Ministério da Saúde admite que 3 das 11 doenças da lista brasileira dificilmente serão eliminadas até 2030 justamente as mais antigas e mais ligadas a determinantes sociais: tuberculose, hanseníase e sífilis;
- A filariose foi a exceção que comprovou a regra: onde saneamento e tratamento andaram juntos por mais de uma década, o resultado veio mas ele exigiu 19 anos de trabalho contínuo (1997 a 2016) para se consolidar.
Perguntas que o MNDN dirige aos gestores
São perguntas de interesse público, dirigidas ao Ministério das Cidades, à Compesa e às prefeituras de Recife, Olinda, Jaboatão dos Guararapes e Paulista:
- Qual o cronograma efetivo, com datas e valores públicos, para que Jaboatão dos Guararapes saia dos atuais 20,61% de atendimento em esgotamento sanitário rumo à meta de 90% prevista para 2033?
- Existe algum plano de vigilância entomológica (monitoramento ativo do mosquito Culex) permanente nos nove municípios classificados como de transmissão indeterminada?
- Os R$ 19,1 bilhões anunciados pelo Governo de Pernambuco para universalização até 2033 têm cronograma público, com metas anuais fiscalizáveis por bairro?
- Existe um programa de acompanhamento médico e social ativo para os pacientes crônicos que ainda vivem com sequelas da filariose nas quatro cidades, mesmo após a eliminação da transmissão?
- Como o Programa Brasil Saudável articula, na prática e no território, as ações de saúde com as obras de saneamento nessas quatro cidades?
- Que garantias existem de que a filariose não retornará nas áreas onde o esgoto ainda corre a céu aberto, mesmo após a certificação internacional de eliminação?
A posição do Movimento
O MNDN reconhece a eliminação da filariose linfática como uma conquista real, tecnicamente validada pela OMS e pela OPAS, fruto de quase três décadas de trabalho contínuo e de articulação entre saúde e saneamento. Não é uma estatística vazia, e o Brasil foi apenas o 20º país do mundo a chegar a esse patamar.
Mas reconhecer a conquista não significa aceitar que o problema estrutural foi resolvido. Nossa posição:
- Certificado não é ponto final, é ponto de partida. A eliminação da transmissão precisa vir acompanhada de vigilância entomológica permanente e pública, com dados abertos por bairro;
- Investimento proporcional ao risco. Os nove municípios classificados como de transmissão indeterminada pela ciência precisam de prioridade orçamentária, não de espera pela próxima estatística ruim;
- Cuidado continuado para quem já adoeceu. Pacientes com sequelas crônicas de filariose não deixam de precisar de acompanhamento médico e social só porque a transmissão foi interrompida;
- Saneamento não pode ficar dois anos atrasado da própria narrativa oficial. Quando uma prefeitura responde a um ranking dizendo que os dados têm “defasagem de dois anos”, isso também significa que o cidadão está esperando dois anos a mais por saneamento básico;
- Participação social real das comunidades de Jaboatão, Olinda, Paulista e Recife na fiscalização das obras do Programa Cidade Saneada e do Novo PAC;
- Nenhuma doença “eliminada” deve sair do radar da imprensa e da sociedade civil. É exatamente quando a atenção cai que as doenças negligenciadas voltam a ser negligenciadas.
As doenças negligenciadas não começam no consultório nem terminam no medicamento. Elas têm origem nas condições em que as pessoas vivem. Um certificado internacional é uma vitória de verdade mas enquanto o esgoto continuar correndo a céu aberto nas mesmas ruas, a vitória segue incompleta.
João Victor Pacheco Fós Kersul de Carvalho, Presidente do MNDN
A filariose foi eliminada como problema de saúde pública em quatro cidades que, dez anos depois do início do fim do tratamento em massa, seguem entre as piores do Brasil em saneamento básico. Essa não é uma contradição é a explicação de por que a vigilância nunca pode parar.
Fontes e referências
- BRASIL. Ministério da Saúde. Filariose Linfática (Elefantíase). gov.br/saude.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Guia de Vigilância Epidemiológica e Eliminação da Filariose Linfática. Brasília, 2009.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Brasil recebe certificado pela eliminação da filariose linfática, novembro de 2024. gov.br/saude.
- AGÊNCIA FIOCRUZ DE NOTÍCIAS. Brasil é o 20º país certificado pela OMS pela eliminação da filariose linfática, 2024.
- XAVIER, A.; BONFIM, C.; CANTALICE, P. et al. Culex quinquefasciatus Density Associated with Socioenvironmental Conditions in a Municipality with Indeterminate Transmission of Lymphatic Filariasis in Northeastern Brazil. Pathogens, v. 13, n. 11, p. 985, novembro de 2024. DOI: 10.3390/pathogens13110985.
- SOCIEDADE BRASILEIRA DE MEDICINA TROPICAL (SBMT). Brasil elimina transmissão da filariose linfática como problema de saúde pública, 2024 declaração do Dr. Gilberto Fontes (UFSJ).
- INSTITUTO AGGEU MAGALHÃES – FIOCRUZ PE. Eliminação da Filariose linfática no Brasil – a hora é da Vigilância, 2024 declaração de Abraham Rocha, coordenador do Serviço de Referência Nacional em Filarioses.
- Assessment of transmission in areas of uncertain endemicity for lymphatic filariasis in Brazil. PLOS Neglected Tropical Diseases, 2019 base da classificação dos nove municípios de transmissão indeterminada.
- Controle da filariose linfática no Brasil, 1951-2000. Universidade Federal de Pernambuco / SciELO.
- INSTITUTO ÁGUA E SANEAMENTO. Municípios e Saneamento Jaboatão dos Guararapes, Olinda, Paulista e Recife (PE). Dados SINISA, ano-base 2024. aguaesaneamento.org.br.
- INSTITUTO TRATA BRASIL / GO ASSOCIADOS. Ranking do Saneamento 2026 (18ª edição), ano-base SINISA 2024.
- DIARIO DE PERNAMBUCO. Pernambuco tem 3 cidades entre as 20 com piores saneamentos no país, março de 2026.
- BRK AMBIENTAL. Nossa atuação Programa Cidade Saneada, Pernambuco.
- Estudo sobre impactos do Novo Marco Legal do Saneamento no abastecimento de água em Pernambuco, revista Cidades Verdes, 2025.
- BRASIL. Decreto nº 11.908, de 2024 — institui o Programa Brasil Saudável. E Decreto nº 11.494, de 2023 — institui o CIEDDS.
- Esta matéria tem caráter informativo e não substitui avaliação técnica ou médica. Todos os dados citados refletem a base de dados disponível publicamente até a data de publicação e estão sujeitos a atualização pelas fontes originais.