MOVIMENTO NACIONAL DAS DOENÇAS NEGLIGENCIADAS — JUSTIÇA SOCIAL E SAÚDE PARA TODOS
← Voltar para o início
📅 05/05/2026 | 📂 ✊🏽 Participação Social

Doenças negligenciadas: um desafio social que precisa da sua participação

Doenças negligenciadas: o Brasil entre avanços e desigualdades que ainda adoecem milhões

🎙️ OUÇA A REPORTAGEM COMPLETA

Áudio profissional – Para ouvir onde e quando quiser
✅ Clique em “Ouvir” para escutar a reportagem
🌍 Um desafio que persiste

As doenças tropicais negligenciadas continuam sendo um dos maiores desafios da saúde pública no Brasil. Mesmo com avanços importantes no diagnóstico e no tratamento, milhões de pessoas seguem expostas a enfermidades que, em grande parte, poderiam ser prevenidas.

Mais do que uma questão médica, essas doenças revelam uma realidade social marcada pela desigualdade. Estima-se que cerca de 28,9 milhões de brasileiros estejam expostos anualmente, vivendo em contextos onde ainda faltam condições básicas como saneamento, água tratada e moradia digna.

Rua com esgoto a céu aberto
Esgoto a céu aberto: a falta de saneamento básico é uma das principais causas das doenças negligenciadas no Brasil

📊 Um retrato em números: Brasil e mundo

Os dados ajudam a dimensionar a profundidade desse problema. Segundo a Organização Mundial da Saúde, aproximadamente 1,7 bilhão de pessoas no mundo são afetadas por doenças tropicais negligenciadas, resultando em cerca de 200 mil mortes todos os anos.

1,7 bi
pessoas afetadas no mundo
200 mil
mortes por ano no mundo
14%
da população exposta no Brasil

No Brasil, a situação também é alarmante. Cerca de 14% da população está exposta a essas doenças anualmente. Esse número está diretamente ligado às condições de vida. De acordo com o Censo de 2022:

49 mi
sem esgoto adequado
18 mi
sem coleta de lixo
6 mi
sem água tratada
1+ mi
sem banheiro em casa
📊 Fonte: Censo 2022 / IBGE

Esses dados revelam que o avanço das doenças negligenciadas não ocorre por acaso, mas acompanha a ausência de políticas estruturais e a permanência das desigualdades sociais.

🏚️ Quando a desigualdade adoece

A permanência dessas doenças está diretamente ligada às condições de vida da população. A ausência de infraestrutura básica cria um ambiente propício para a proliferação de vírus, bactérias e parasitas, especialmente em territórios marcados pela vulnerabilidade social.

Nesse cenário, o adoecimento deixa de ser apenas biológico e passa a ser social. As doenças negligenciadas são, na prática, um reflexo da pobreza, da exclusão e da falta de acesso a direitos fundamentais como saneamento, moradia digna, alimentação adequada e informação em saúde.

Essa realidade também evidencia a fragilidade das políticas públicas quando não conseguem alcançar de forma efetiva quem mais precisa. Muitas vezes, as ações existem no papel, mas não chegam aos territórios com a intensidade, continuidade e qualidade necessárias. A falta de integração entre áreas como saúde, assistência social, educação e infraestrutura limita o impacto das estratégias e mantém comunidades inteiras expostas aos mesmos riscos ao longo do tempo.

Lixo acumulado na frente das casas
Lixo acumulado: ambiente propício para proliferação de vetores e doenças

Além disso, a ausência de uma abordagem de saúde social — que compreenda o indivíduo dentro do seu contexto de vida — contribui para a manutenção desse ciclo. Não basta tratar a doença se as condições que a produziram continuam presentes. Sem enfrentar as causas estruturais, o cuidado se torna incompleto e o problema se repete.

Em muitos casos, populações inteiras acabam sendo invisibilizadas, vivendo à margem das políticas públicas e tendo seus direitos básicos negligenciados. Essa desconexão entre o Estado e a realidade vivida nos territórios reforça desigualdades históricas e dificulta a construção de soluções duradouras.

Por isso, enfrentar as doenças negligenciadas exige mais do que respostas pontuais. Exige compromisso político, investimento contínuo e, sobretudo, a construção de políticas públicas que dialoguem com a realidade das comunidades, reconhecendo que saúde é, antes de tudo, uma expressão de justiça social.

🇧🇷 O paradoxo brasileiro

O Brasil possui um dos maiores sistemas públicos de saúde do mundo, o SUS, reconhecido internacionalmente por sua capacidade de garantir acesso universal, gratuito e integral à saúde. Além disso, o país conta com instituições de pesquisa, produção científica e desenvolvimento tecnológico que o colocam em posição de destaque no cenário global.

Ainda assim, convive com doenças historicamente associadas à desigualdade, como hanseníase, doença de Chagas, leishmaniose e outras enfermidades que persistem principalmente em territórios vulnerabilizados.

Corredor de hospital do SUS
SUS é universal, mas ainda enfrenta desafios para chegar a todos com equidade

Esse contraste evidencia um paradoxo profundo: ao mesmo tempo em que o país avança em tecnologia, produção de conhecimento e ampliação de serviços de saúde, ainda enfrenta desafios estruturais que mantêm essas doenças ativas em diversas regiões. A capacidade de diagnosticar e tratar existe — o que muitas vezes falta é garantir que esse acesso chegue de forma equitativa a toda a população.

Esse cenário também revela limites na forma como as políticas públicas são implementadas. A ausência de continuidade entre gestões, o subfinanciamento do sistema de saúde, as desigualdades regionais e a dificuldade de articulação entre diferentes setores do Estado acabam comprometendo o impacto das ações.

Além disso, o modelo de atenção muitas vezes ainda é centrado na resposta à doença, e não na prevenção e na atuação sobre os determinantes sociais. Isso faz com que o sistema atue, em muitos casos, de forma reativa, tratando consequências sem conseguir interromper o ciclo que gera o adoecimento.

O resultado é um país que, mesmo com uma estrutura robusta, ainda não consegue romper completamente com as condições que sustentam essas doenças.

É justamente diante desse paradoxo que ganha força a atuação da sociedade civil organizada. Iniciativas como o Movimento Nacional das Doenças Negligenciadas surgem para tensionar esse cenário, aproximando a realidade das comunidades dos espaços de decisão e contribuindo para que as políticas públicas sejam mais efetivas, inclusivas e conectadas com quem mais precisa.

🤝 O papel do Movimento Nacional das Doenças Negligenciadas

É nesse contexto que surge o Movimento Nacional das Doenças Negligenciadas (MNDN), uma articulação da sociedade civil criada em 2024 para enfrentar a invisibilidade dessas doenças e defender o direito à saúde com justiça social.

O movimento nasce da união entre pessoas afetadas, lideranças comunitárias, profissionais da saúde, pesquisadores e voluntários. Sua atuação parte de um princípio simples e poderoso: quem vive a realidade precisa participar da construção das soluções.

Lideranças do movimento na sede da OPAS Brasil
Fundação do Movimento Nacional das Doenças Negligenciadas na sede da OPAS Brasil, durante o primeiro seminário sobre o tema

Mais do que denunciar, o MNDN atua diretamente nos territórios, fortalecendo lideranças, promovendo educação em saúde e incidindo em políticas públicas por meio da participação social.

🗣️ Protagonismo e participação social

A transformação real só acontece quando a sociedade ocupa seu espaço. Por isso, o movimento incentiva a presença ativa em conselhos de saúde, conferências e espaços de decisão.

Ao levar a voz das comunidades para esses espaços, o MNDN contribui para que as políticas públicas sejam mais justas, eficazes e conectadas com a realidade de quem mais precisa.

🚧 Desafios que ainda precisam ser enfrentados

Apesar dos avanços, o combate às doenças negligenciadas ainda enfrenta obstáculos importantes. A invisibilidade social dessas doenças dificulta a priorização de recursos e políticas, enquanto a burocracia e a resistência política atrasam soluções.

Além disso, a falta de saneamento básico e o preconceito continuam sendo barreiras que impactam diretamente a vida das pessoas afetadas.

Pessoas unidas simbolizando luta coletiva
A união e a mobilização coletiva são fundamentais para enfrentar as doenças negligenciadas

💚 Combater o estigma é parte da solução

O estigma ainda é uma das faces mais duras dessas doenças. Muitas pessoas deixam de buscar tratamento por medo do julgamento, o que agrava os casos e reforça ciclos de exclusão.

Romper com esse preconceito é essencial para garantir dignidade, ampliar o acesso ao cuidado e fortalecer uma sociedade mais justa.

🌱 Um caminho construído coletivamente

O Movimento Nacional das Doenças Negligenciadas acredita que o enfrentamento das doenças negligenciadas passa pela união entre ciência, território e comunidade.

Saúde, nesse contexto, não é apenas ausência de doença — é resultado de condições dignas de vida.

Movimento e coletivos reunidos no 8º Fórum Brasileiro de Enfrentamento às Doenças Tropicais Negligenciadas
Movimento e coletivos reunidos no 8º Fórum Brasileiro de Enfrentamento às Doenças Tropicais Negligenciadas

✊ Participe dessa transformação

O combate às doenças negligenciadas depende do envolvimento de toda a sociedade. Informar, participar e mobilizar são passos fundamentais para mudar essa realidade.

Liderança segurando cartaz 'Até quando negligenciadas' na abertura do Congresso Brasileiro de Medicina Tropical - MEDTROP
“Até quando negligenciadas?” — Manifestação no Fórum Social durante a abertura do MEDTROP

👉 Quem vive a realidade também precisa construir a solução.

Compartilhe esta notícia:

🔴 Quer saber mais sobre doenças negligenciadas?

Participe do nosso movimento e receba informações sobre mutirões e campanhas.

Quero participar →
Movimento DN - Atendimento
🔴 MOVIMENTO NACIONAL DAS DOENÇAS NEGLIGENCIADAS

Lutamos por visibilidade, tratamento e políticas públicas para doenças como:
• Hanseníase
• Doença de Chagas
• Leishmaniose
• Tuberculose
• Esquistossomose

Digite "Continuar" para começarmos ou me pergunte sobre as doenças, ações do movimento ou como participar!