11º Fórum Social Brasileiro de Enfrentamento das Doenças Infecciosas e Negligenciadas
Onze anos de resistência, democracia e participação social na luta contra as doenças negligenciadas
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Áudio completo da cobertura do 11º Fórum — link em breveCriado em 2016, o Fórum Social Brasileiro de Enfrentamento das Doenças Infecciosas e Negligenciadas é um coletivo de pacientes, familiares, ativistas, especialistas e ONGs com a missão de lutar pela defesa dos direitos humanos e sociais à saúde das pessoas atingidas por doenças infecciosas e negligenciadas. Ao longo dos anos, tem atuado como espaço comum e democrático de representação, empoderamento, articulação e visibilidade.
Mais do que um evento, o Fórum DTNs se consolidou ao longo de mais de uma década como um território democrático de construção coletiva, reunindo movimentos sociais, lideranças comunitárias, pessoas afetadas, pesquisadores, profissionais da saúde, estudantes, universidades, organizações da sociedade civil e representantes do poder público para discutir caminhos concretos no enfrentamento das doenças negligenciadas.
Desde sua criação, em 2016, o Fórum vem ampliando vozes historicamente invisibilizadas e fortalecendo a ideia de que não existe enfrentamento às doenças negligenciadas sem participação social, justiça social e democracia.
🌍 Um desafio que ainda persiste
As doenças tropicais negligenciadas continuam representando um dos maiores desafios da saúde pública mundial e brasileira. Mesmo sendo doenças evitáveis e, em muitos casos, tratáveis, milhões de pessoas seguem expostas diariamente a condições que favorecem o adoecimento.
Hanseniase, doença de Chagas, leishmanioses, esquistossomose, filariose linfática, tracoma, malária, tuberculose, HTLV, hepatites virais, HIV, chikungunya e outras enfermidades seguem afetando principalmente populações vulnerabilizadas, periféricas, rurais, indígenas, quilombolas e pessoas em situação de pobreza.
Esses números demonstram que as doenças negligenciadas não são apenas um problema biomédico. Elas revelam a permanência da exclusão social, da ausência de políticas estruturais e das desigualdades históricas presentes no país.
🏚️ Quando a desigualdade produz adoecimento
As doenças negligenciadas acompanham os territórios onde faltam direitos. Falta saneamento. Falta moradia digna. Falta acesso à informação. Falta presença do Estado. O adoecimento, nesse contexto, deixa de ser apenas individual e passa a refletir um problema coletivo, social e político.
Muitas vezes, as políticas públicas existem formalmente, mas não chegam aos territórios de forma contínua, integrada e eficiente. A fragmentação entre saúde, assistência social, educação, habitação e infraestrutura mantém comunidades inteiras expostas aos mesmos ciclos de vulnerabilidade.
Por isso, o enfrentamento das doenças negligenciadas exige muito mais do que medicamentos ou campanhas pontuais. Exige transformação social. Exige investimento público. Exige participação popular. Exige combate às desigualdades. Exige democracia.
✊ Onze anos de Fórum: um ato democrático permanente
Ao longo de onze anos, o Fórum Social Brasileiro de Enfrentamento das Doenças Infecciosas e Negligenciadas se transformou em um símbolo da luta coletiva pelo direito à saúde. Cada edição representou um espaço de escuta, construção política e fortalecimento da sociedade civil organizada.
O Fórum nasceu da articulação entre movimentos sociais, universidades, profissionais de saúde, pesquisadores, pessoas afetadas e organizações comprometidas com a defesa da vida. Desde então, vem produzindo incidência política, cartas abertas, propostas para políticas públicas, fortalecimento da educação em saúde, defesa do SUS, enfrentamento ao estigma e ampliação da participação social.
O Fórum também passou a denunciar algo fundamental: as doenças negligenciadas continuam existindo porque determinadas populações seguem sendo negligenciadas. Quando uma comunidade não tem saneamento, ela está sendo negligenciada. Quando falta acesso ao diagnóstico, existe negligência. Quando o tratamento não chega, existe negligência. Quando o preconceito afasta pessoas do cuidado, existe negligência.
Por isso, o Fórum se consolidou como um espaço onde ciência, território e direitos humanos caminham juntos.
🗣️ Participação social transforma realidades
Ao longo de sua trajetória, o Fórum Social Brasileiro de Enfrentamento das Doenças Infecciosas e Negligenciadas ajudou a fortalecer algo essencial para a democracia brasileira: a participação ativa da população na construção das políticas públicas de saúde.
Quando pessoas diretamente afetadas pelas doenças ocupam espaços como conselhos de saúde, conferências, audiências públicas e comitês institucionais, as decisões deixam de ser construídas apenas de forma técnica e passam a considerar a realidade concreta dos territórios. Esse processo transforma não apenas políticas, mas vidas.
A defesa da Atenção Primária à Saúde fortalece o acesso ao cuidado perto de onde as pessoas vivem. O fortalecimento do SUS público e universal garante acesso gratuito à saúde. A defesa do acesso a medicamentos, a educação popular em saúde e o enfrentamento ao estigma são pautas centrais que ganham força dentro do Fórum.
Mais do que reivindicar políticas públicas, o Fórum ajudou a construir uma nova compreensão sobre protagonismo social: pessoas afetadas pelas doenças negligenciadas não devem ser vistas apenas como pacientes, mas como sujeitos políticos capazes de contribuir diretamente para a transformação da realidade brasileira.
🎬 Edição Especial: Doenças Negligenciadas — o Povo Protagonista
Jornal do Fórum Social Brasileiro 2025 | João Pessoa (PB)
📍 Gravado em João Pessoa, durante o 60º MEDTROP – Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical.
Leitura da 10ª Carta, Manifesto Popular, entrevistas e muito mais.
🇧🇷 O paradoxo brasileiro
O Brasil possui um dos maiores sistemas públicos de saúde do mundo e uma importante capacidade científica e tecnológica. Ainda assim, convive com doenças historicamente associadas à pobreza e à desigualdade.
Esse contraste revela um paradoxo profundo: enquanto o país avança na produção de conhecimento e na capacidade técnica, milhões de pessoas ainda vivem sem acesso digno às condições básicas que garantem saúde. O Fórum DTNs surge justamente para tensionar essa realidade, aproximando comunidade, ciência, gestão pública e movimentos sociais.
🤝 O papel do Movimento Nacional das Doenças Negligenciadas
É dentro desse processo histórico de mobilização social que surge o Movimento Nacional das Doenças Negligenciadas (MNDN), uma articulação nacional criada para enfrentar a invisibilidade dessas doenças e fortalecer a defesa do direito à saúde com justiça social.
O movimento nasce da união entre pessoas afetadas, lideranças comunitárias, profissionais da saúde, pesquisadores, estudantes, voluntários e organizações da sociedade civil que compreenderam que o enfrentamento dessas doenças não pode acontecer sem escutar quem vive diariamente essa realidade.
Mais do que denunciar problemas, o MNDN atua diretamente na construção de soluções coletivas: fortalece lideranças populares nos territórios, promove educação em saúde, amplia a circulação de informações confiáveis e incentiva a participação da população nos espaços de decisão do SUS. Outro papel fundamental é combater o isolamento social causado pelo preconceito, reconstruindo vínculos sociais e ampliando a dignidade dessas populações.
O Movimento Nacional das Doenças Negligenciadas também reafirma constantemente que saúde não pode ser compreendida apenas como ausência de doença. Saúde envolve acesso a direitos, qualidade de vida, saneamento, alimentação, moradia, educação e participação social. Por isso, sua luta vai além do debate biomédico. Trata-se de uma luta contra as desigualdades que historicamente adoecem milhões de brasileiros.
🚧 Desafios que ainda precisam ser enfrentados
Mesmo após anos de mobilização, os desafios permanecem enormes. A invisibilidade dessas doenças ainda dificulta a priorização de investimentos públicos. Em muitos territórios, faltam profissionais capacitados, acesso ao diagnóstico, continuidade do cuidado e políticas estruturais permanentes.
Além disso, o estigma segue sendo uma das barreiras mais violentas. Muitas pessoas deixam de buscar atendimento por medo da discriminação, agravando quadros clínicos e aprofundando processos de exclusão social. Combater as doenças negligenciadas também significa combater o preconceito, a desinformação e a invisibilidade.
📜 Linha do Tempo: 11 anos do Fórum DTNs
As Cartas Abertas do Fórum DTNs representam registros oficiais das principais pautas abordadas durante cada encontro anual dentro da programação do Medtrop (Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical). Cada uma das cartas contém denúncias e reivindicações dos coletivos e lideranças que participam dos encontros anuais e discussões permanentes.
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🌱 Brasília recebe o 11º Fórum DTNs
Em 2026, Brasília receberá a 11ª edição do Fórum Social Brasileiro de Enfrentamento das Doenças Infecciosas e Negligenciadas. Realizar o Fórum na capital federal possui um significado político profundo. Brasília é o centro das decisões nacionais. É onde políticas públicas são construídas. É onde direitos são disputados. É onde a sociedade civil precisa ocupar espaço.
O 11º Fórum chega reafirmando que as populações afetadas pelas doenças negligenciadas não aceitarão mais invisibilidade. Será um espaço de memória, resistência, denúncia, articulação e esperança.
Onze anos depois, a pergunta continua ecoando: “Até quando negligenciadas?” Mas junto dessa pergunta, cresce também uma resposta coletiva: enquanto existir desigualdade, haverá luta; enquanto existir negligência, haverá mobilização; enquanto existir invisibilidade, haverá participação social organizada.
💚 Saúde é democracia
Falar sobre doenças negligenciadas também é falar sobre democracia. Quando uma comunidade não possui acesso ao saneamento básico, quando o diagnóstico demora anos para acontecer, quando o tratamento não chega ou quando uma pessoa deixa de procurar atendimento por medo do preconceito, não estamos diante apenas de um problema de saúde — estamos diante de uma violação de direitos.
A democracia se fortalece quando a população consegue participar das decisões que impactam sua própria vida. Por isso, a defesa da saúde pública passa necessariamente pela defesa da participação social, da ciência, da transparência e do fortalecimento das políticas públicas.
O SUS representa um dos maiores instrumentos de inclusão social já construídos no Brasil. Ele garante que milhões de pessoas possam acessar atendimento, vacinação, medicamentos, exames e tratamentos de forma gratuita. Mas sua existência, por si só, não elimina as desigualdades históricas que atingem os territórios mais vulnerabilizados.
É justamente por isso que movimentos sociais, fóruns populares e organizações da sociedade civil possuem papel tão importante. Eles ajudam a aproximar o Estado da realidade vivida pela população, pressionando por respostas mais humanas, efetivas e conectadas às necessidades reais das comunidades.
Defender a saúde é defender direitos humanos. Defender o SUS é defender vidas. Defender participação social é defender democracia.
💚 Um futuro construído coletivamente
O 11º Fórum Social Brasileiro de Enfrentamento das Doenças Infecciosas e Negligenciadas representa mais do que a continuidade de um encontro anual. Representa a permanência de uma luta coletiva por dignidade, justiça social e transformação da realidade brasileira.
Ao longo desses onze anos, o Fórum ajudou a construir pontes entre ciência, território, comunidade e políticas públicas. Deu voz a pessoas historicamente invisibilizadas e fortaleceu a compreensão de que saúde não pode ser separada das condições de vida da população.
As doenças negligenciadas persistem porque as desigualdades persistem. E enfrentar essas doenças significa também enfrentar a pobreza, a fome, o racismo estrutural, a ausência de saneamento e a exclusão social.
Brasília receberá, em 2026, não apenas mais uma edição do Fórum DTNs, mas a força acumulada de milhares de pessoas que seguem acreditando que outro futuro é possível. Um futuro onde nenhuma vida seja invisível. Onde nenhuma comunidade seja esquecida. Onde saúde seja tratada como direito e não privilégio. E onde a participação social continue sendo instrumento de transformação, democracia e esperança.
👉 Convidamos você a somar-se a nós e contribuir para fortalecer o acesso e a participação no âmbito da saúde! Juntos, podemos fazer a diferença.