Nós, participantes do 1º Fórum Mato-Grossense de Uma Só Saúde...
Dados que mostram a urgência da integração entre saúde e ambiente
Quatro dimensões interconectadas que sustentam nossa luta
Acesso universal, qualidade no SUS, equidade no tratamento e cuidado integral às pessoas.
Controle de zoonoses, bem-estar animal e vigilância sanitária integrada.
Proteção dos biomas: Pantanal, Amazônia e Cerrado. Combate ao desmatamento e queimadas.
Direitos humanos, participação popular e enfrentamento às desigualdades históricas.
Não existe saúde completa em um território marcado pela degradação ambiental, pela fome, pela ausência de saneamento, pela contaminação das águas, pelo desmatamento, pelas queimadas e pelo abandono das populações vulnerabilizadas.
Quando não há controle das zoonoses, aumentam os riscos de transmissão de doenças entre animais e seres humanos. Segundo a Organização Mundial da Saúde, as zoonoses são responsáveis por aproximadamente 2,4 bilhões de casos de doenças e 2,2 milhões de mortes por ano no mundo. Cerca de 60% das doenças infecciosas humanas possuem origem animal, e 75% das doenças infecciosas emergentes surgiram a partir dessa relação entre humanos, animais e ambiente.
Cresce a incidência de enfermidades relacionadas à poluição, às mudanças climáticas, ao desequilíbrio ecológico e à proliferação de vetores. As mudanças climáticas já são reconhecidas como uma crise de saúde pública global. A Organização Mundial da Saúde estima que entre 2030 e 2050 a crise climática poderá causar cerca de 250 mil mortes adicionais por ano por desnutrição, malária, diarreia e estresse térmico.
O avanço do desmatamento, das queimadas, da urbanização desordenada e da perda da biodiversidade favorece o surgimento e a expansão de doenças infecciosas, arboviroses e epidemias. Vetores como o mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya encontram condições ainda mais favoráveis em cenários de aumento das temperaturas e desequilíbrio ambiental.
A crise climática também ameaça os próprios sistemas de saúde. Relatório apresentado pelo Ministério da Saúde e pela OMS alerta que mais de 540 mil pessoas morrem anualmente em decorrência do calor extremo e que um em cada 12 hospitais do mundo já corre risco de paralisação por impactos relacionados ao clima.
Reconhecemos que doenças negligenciadas, zoonoses, epidemias, insegurança alimentar e eventos climáticos extremos não podem ser enfrentados de forma isolada. É necessário diálogo permanente entre governos, universidades, movimentos sociais, povos tradicionais, trabalhadores da saúde, pesquisadores e sociedade civil organizada.
O estado de Mato Grosso, por sua diversidade ambiental, territorial e humana, possui papel estratégico na construção de soluções sustentáveis para o Brasil e para o mundo. Defender os rios, as florestas, os animais, os territórios e as populações vulnerabilizadas é também defender a saúde coletiva.
Sem equilíbrio ambiental não existe saúde humana.
Sem proteção animal não existe controle sanitário.
Sem justiça social não existe bem-estar coletivo.
Sem participação popular não existe transformação verdadeira.
💚 Uma Só Saúde é compromisso com a vida. 💙
1º Fórum Mato-Grossense de Uma Só Saúde
Cuiabá, 2026
Movimento Nacional das Doenças Negligenciadas - Mato Grosso